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LIGEIRAS NOTAS HISTÓRICAS DA CIDADE
DE BELA VISTA
TRABALHO DEDICADO Á SUA ADMINISTRAÇÃO
MUNICIPAL
Os homens se sucedem como as ondas do oceano,
ou como
as folhas do bosque; mas a gloria dos beneméritos não
se apagará.
Ossian – The Warriors of fingol.
Apesar das dificultosas pesquisas que tivemos de realizar para
colidir documentos dispersos, relativos a éras passadas,
e para colher informações de pessoas idosas conhecedoras
dos fatos que dizem respeito á historia política
e administrativa de Bela Vista, não tivemos desfalecimentos,
lembrando-nos sempre do velho adágio que identifica o
querem o poder.
Conseguimos em parte e nosso desideratum, que é justamente
prestar algum serviço, ainda que que de nenhum mérito,
á terra onde nascemos. Longe de quaisquer vaidades, vencemos
a jornada que nos traçamos.
Os belavistenses em geral, que irão julgar nosso modesto
trabalho saberão pôr certo desculpar-nos pelas
falhas que naturalmente se encontram neste pequeno esboço
histórico, que, entretanto, poderá de futuro servir
para um trabalho mais completo.
Conseqüência lógica do cunho cientifico que
vêm tomando os estudos históricos, as suas investigações
tornam-se dia a dia mais complexas, exigindo do historiador
grande critério e a máxima severidade.
BELA VISTA
A cidade de Bela Vista, situada em admirável planície,
a 700 metros de altitude, pertencia ao município de Bonfim,
tendo sido fundada em terras doadas pôr José Bernardo
Pereira e sua mulher Inocência Maria de Jesus, e pôr
José Inocêncio Teles, conforme escrituras particulares
passadas receptivamente em 9 e 25 de junho de 1852, as quais
são do teor seguinte:
Dizemos nós abaixo assinados, eu e minha mulher, entrem
os bens que possuímos livre e desembargados, e assim
um corte de terra, nominado na beira do Sussuapara, pôr
nome Buriti da ponte de terra, cujo corte de terra dou a Nossa
Senhora da Piedade, de minha livre vontade para se fazer uma
casa de oração que é muito de meu gosto
que seja de Nossa Senhora, sita as divisas seguintes: Da ponte
da Sussuapara pela estrada que vai para o senhor José
Teles, até o espigão, descendo pelo espigão
da Piracanjuba, até confronto com a barra do Buriti da
ponte de terra descendo a rumo direto na dita barra da ponte
de terra com a Sussuapara, subindo pela água da mesma
para cima até a ponte da estrada do senhor Januário
Teles, que fica sendo a toda a vertente de buriti com este terreno
de terra todo de Nossa Senhor, de hoje para sempre e se falta
alguma cousa nesta dadiva, peço a justiça sua
Majestade, como se fosse passado em outra qualquer menção.
Pôr não saber ler nem escrever, pedi ao senhor
Baltazar Caciano que pôr mim fizesse e assinasse, como
testemunha que fiz a rogo do senhor José Bernardo Pereira.
Baltazar Caciano dos Reis. Boa vista,9 de junho de 1852. A rogo
de Inocência Maria de Jesus, Manoel Pinto Ferreira. Como
testemunha que vi pedir assinatura, Joaquim Jorge Machado e
Camilo José de Oliveira.
Dizemos nós abaixo assinados, que entre os bens que possuímos
livre se desembargados e assim um córte de terra nominada
na beira do Sussuapara, cujo corte dou a Nossa Senhora da Piedade,
de minha livre vontade sita as divisas seguintes: Da ponte do
senhor Januário Teles, subindo nela agua acima a barra
do córrego Melancial e subindo pela agua do Melancial
acima até a primeira barra de um buriti que nasce da
parte da nascendo, subindo pelo buriti que acima até
a cabeceira, frechando em rumo direito na estrada que vem do
senhor Januário Teles, descendo pela estrada abaixo até
a ponte da Sussuapara, ficando a agua do Melancial e este terreno
de terra todo este para Nossa Senhora, de hoje para sempre e
pôr ser muito de meu gosto somente para assinar abaixo
as testemunhas. Boa Vista,25 de junho de 1852. José Inocêncio
Teles. Assino a rogo da senhor Josepha Maria de Melo, Baltazar
Caciono dos Reis,Camilo José de Oliveira e Tiburcio da
Costa e Silva.
Digo eu Francisco Loriano da Costa e minha mulher Lucinda
Maria de Jesus, que entre os mais bens que possuímos
livres e desembargados, bem assim parte de terras de plantar
e de criar no retiro de Santo Antônio, cabiceira da Sussuapara,
a qual vendemos ao senhor Joaquim Mateus Gomes, pelo preço
a quantia de noventa mil reis, que recebemos ao fazer este,
sendo as divisas seguintes: De uma ponte velha, de José
Rodrigues, no corrego Sussuapara rumo direito até o Espigão
do lado da ponte e pelo espigão acima até confronto
a reçaca do Barro Amarelo, descendo pôr este abaixo,
entrando no mato em rumo direito até o córrego
do mato grande, subindo pôr este acima, divisando com
Maria da Silva, até a estrada da bucaina, pôr esta
estrada acima divisando com José Pontes até a
cabiceira da bucaina, daqui cortando em rumo até o córrego
a Sussuapara, descendo pelo córrego abaixo até
a onde teve principio, que divisa com José Teles, as
quais terras poderá o dito senhor as possuir como suas
que ficam sendo de hoje para sempre, para o que lhe espaçamos
todo jus, domínio, que nas mesmas temos, ficando o contador
obrigado a sisa da lei, e nos obrigados a fazer-lhe a venda
boa a do tempo, que sobre elas haja alguma dúvida, e
para seu título lhe andamos passar o presente que não
sabermos ler nem escrever, assina nosso rogo a saber pelo vendedor
Vicente Ferreira Guimarães, e pela vendedora, o Alferes
Januário Alves Teles, em vista das testemunhas abaixo
assinadas. Bonfim, 3 de Dezembro, de 1849. A rogo de Francisco
Loriano da Costa, Vicente Ferreira Guimarães, assino
a rogo de Lucinda Maria de Jesus, Januário Alves Teles.
Como testemunha que vi ambas pedir, Joaquim Pires do Prato.
Pertence ao senhor Serafim Neves da Silva, que fica sendo possuidor
desde hoje para sempre, ficando o dito comprador obrigado á
sisa da lei e tendo posse e domínio que nelas tenho,
e pôr verdade mandei passar a presente, somente pôr
mim assinado , perante as testemunhas abaixo assinadas. Hoje,
Sussuapara, 22 de Outubro de 1856. Joaquim Mateus Gomes, assino
a rogo de Cândida Maria de S. José, Pedro Micheias
Nogueira. Como testemunhas que vi pedir e assinar, Fortunato
Gomes e Camilo José de Oliveira. Era o que se continha
em o dito papel que bem e fielmente copiei. Eu, Firmiamo da
Costa e Oliveira, tabelião, o escrevi.
Contrato que fizemos perante as testemunhas abaixo assinadas.
Eu Baltazar Nogueira dos Reis e João Teles de Moura,
afim de um titulo de umas terras de Nossa Senhora, sita as divisas
no teor seguinte o que consta o titulo na mesma reçacada
do Barra Amarelo, Seguindo do marco que esta persistindo ate
apanhar a cabiceira de uma grota que sae ao campo e esta mais
anexa ao marco, e pôr esta abaixo ate o corrego do mato
grande, segundo consta o mesmo titulo; e para o nosso governo
passamos este e pedimos a justiça de nossa majestade,
que dê um inteiro vigo como se uma escritura publica.
Arraial de Nossa Senhor da Piedade, 5 de junho de 1868. Baltazar
Nogueira dos Reis, João Teles de Moura. Como testemunhas,
Maximiano José Teles, Antônio Joaquim da Mota e
Manoel Caciano dos Reis.
Escritura de contrato que fazem o Rvdmo. Padre José Vendel,
José Pereira de Oliveira e sua mulher D. Lucia Maria
de Jesus. Saibam quantos virem este instrumento de contrato
que no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil
novecentos e um aos dezessete dias do mês de junho do
dito ano, nesta cidade de Bela Vista, comarca do mesmo nome,
Estado de Goiás, em meu cartório compareceram
José Pereira de Oliveira e sua mulher D. Lucia Maria
de Jesus pôr uma parte e pôr outra o Rvdmo. Padre
José Vendel no carater de fabriqueiro e administrado
do patrimônio da Matriz desta freguezia, e representado
pôr seu procurador, o cidadão Brasilino Roque Teixeira,
como de vê de uma procuração devidamente
selada e com reconhecimento da firma, a qual vai aqui transcrita
e é do teor seguinte: Procuração, passado
pôr meu próprio punho, constituo meu procurador
o cidadão Brasilino Roque Teixeira, na cidade de Bela
Vista e seu termo, especialmente para requerer e tratar em juízo,
ou fora dele, do direito, ação e proteção
do o outorgante, relativamente dos Orago de Nossa Senhora da
Piedade, desta cidade de Bela Vista, ora contestados estes terrenos
pelo cidadão José Pereira d’ Oliveira, que
não tem nem pode Ter o jus in ré aos referidos
terrenos, que pôr direito indiscutível de posse
de mais de trinta anos pertencem ao patrimônio, e assim,
ate hoje tem sido respeitados e acatados os seus direitos ;
dando- lhe todos os poderes para este fim. Campinas, 8 de Abril
de 1901. Padre José Vendel Fabriqueiro. Reis um mil reis.
Pagou de selo estadual um mil reis. Coletoria de Bela Vista,
10 de Maio de 1901.O encarregado, Antônio Teixeira. Reconheço
verdadeira letra e firma supra da presente procuração,
ser do próprio punho do Rvdmo. Padre José Vendel,
pôr ter delas pleno conhecimento, ao qual me reporto e
dou fé. Bela Vista, 10 de Maio de 1901. Eu, Firmiano
da Costa Oliveira, escrivão o escrevi. Eu testemunho
da verdade, estava o sinal publico Todos conhecidos de mim tabelião
e das testemunhas presenciais abaixo nomeadas e assinadas, perante
as quais pôr eles me foi dito que havendo solvido de comum
acordo e amigavelmente a questão entre eles suscitada
relativamente ao jacente na margem direita do córrego
Sussuapara, contíguo a esta cidade, termo que compreende
parte do campo em está situada a chácara do contratante
Oliveira e um mato conhecido pôr capão, convencionaram
e contrataram que a linha divisória da parte do mesmo
terreno que fica pertencente á Matriz e da que fica pertencendo
ao contratante Oliveira terá pôr ponto de partida
o barraco do córrego Sussuapara- a igual distancia do
capão e da ponte denominada do João Pinto- sobre
o mesmo córrego e desse ponto seguinte para Poente em
linha reta até a divisa de umas terras de Firmiano Francisco
Ferreira, e que pertencerá á Matriz a parte do
lado direito, o açude e rego d água da servidão
do contratante Oliveira, e a este a parte do lado esquerdo,
a qual compreende certa extensão do campo em que está
situada a chácara e o cemitério publico desta
cidade, ficando igualmente livre não só a estrada
mas também o local do cemitério, como o mesmo
contratante, segundo afirma, já tinha concedido ao finado
Senador Antônio da Silva Canedo. E pôr assim havendo
contrato, me pediram o presente instrumento, que achando conforme
vai assinado pôr José Pereira Naves a pedido do
contratante Oliveira, pôr não saber escrever, e
pelas outras partes e testemunhas presencias, Tenente Coronel
Francisco Joaquim Marques, Padre Martinho Formr e Capitão
Felicissimo Domigues, do que tudo dou fé. Eu, Firmiano
da Costa Oliveira, tabelião, a escrevi. Brasiliano Roque
Teixeira e Lucia Maria de Jesus. Padre Martinho Formr - Felicissimo
Domigues e Francisco Joaquim Marques.
SURGE O ARRAIAL
Dona Josefa Teles, irmã de José Inocêncio
Teles, um dos doadores das terras, aos domingos e dias santos
saía de sua fazenda, denominada São Bento, distante
12 quilômetro do pequenino povoado de Sussuapara, a –fim
–de fazer suas orações em companhia dos
habitantes do logar, para o que edificou, as suas orações
em companhia. Dona Josefa Teles faleceu repentinamente no dia
em que o segundo Vigário da Paroquia, Revdmo Padre Braz
da Costa Oliveira, tomou posse da freguezia.
O arraial foi elevado de freguezia pela Revolução
da Assembléia Provincial, sob n.º 612, de 30 de
março de 1880; o curato, foi creado a 27 de junho de
1876.
Luiz José de Siqueira, natural de São João
del Rei, Estado de Minas Gerais, casado com Dona Ana Gomes Gerais,
nascida em Bonfim, foi quem começou a dar os primeiros
passos pelo desenvolvimento da povoação, tendo
mandado construir ás suas expensas, em 1875, um Chafariz
na praça Senador Silva Canedo, ao lado direito da lado
direito da Igreja de N. S. da Piedade, padroeira da freguezia.
O ato inaugural do chafariz consta da correspondência
seguinte, publicada no Correio Official de 29 de janeiro de
1876, n.º 7 :
Honra ao mérito. No dia 30 de setembro ultimo este Arraial
vestio-se de galas para festejar a cerimonia da benção
do lindo chafariz, que o honrado negociante Sr. Luiz José
de Siqueira, ás suas expensas, mandou construir em proveito
publico. Na parte mais elevada da obra está colocada
a Corôa Imperial; na parte direita, gravada em pedra,
esta inscrição:
Oferecido ao Sr. Comendador Francisco José da Silva;
do lado esquerdo esta outra – Dedico ao zelo do bem publico,
e, finalmente, no centro lê- se a éra: 1875. Alem
do exposto, o Chafariz contém duas elevadas columnas
nos centros, três elegantes e pyramides e mais duas bicas
de ferro dás quaes a agua jorra com abundância
e velocidade sobre um tanque de pedra. Finda a cerimonia religiosa,
celebrada pelo respectivo parocho, este digno sacerdote offereceu
aos seus parochianos, em sua própria residência,
um lauto jantar, onde reinou a mais harmonia, levando-se diversos
brindes que foram enthusiasticamente, correspondidos. Os habitantes
deste logar jamais olvidarão o phylantropico serviço
que acaba de prestar- lhe o benemérito Sr. Luiz José
de Siqueira, o qual pôr ato tão meritório
mais ainda conquistou a immorredoura gratidão dos seus
amigos, que incessantemente fazem sinceros votos pela sua prosperidade,
em cujo numero se acha o amigo do Mérito. Bela Vista,
30 de Dezembro de 1875.
O pároco da freguesia que oficiou na cerimonia religiosa,
chamava-se João de Azevedo.
O chafariz, inaugurado com tanto regozijo popular, em 1906 foi
demolido, tendo com ele desaparecido lamentavelmente uma das
melhores relíquias ligadas aos fatos históricos
da terra dos buritisais sussuapara.
AUTONOMIA
Pela Lei n.º 100, de 5 de junho de 1896, foi o distrito
de Bela Vista elevado á categoria de cidade; a lei está
redigida nos seguintes termos: Francisco Leopoldo Rodrigues
Jardim, presidente do Estado de Goiás: Faço saber
que a câmara dos Deputados decretou e eu promulgo a seguinte
lei: Art.1º, - Fica elevado á categoria de cidade
o arraial de Bela Vista, que constituirá município
com a mesma denominação, compreendendo o distrito
de Campinas e mantendo os mesmos limites das duas freguesias,
fornecendo os habitantes os edifícios exigidos pela lei.
Art. 2º - Revogam –se as disposições
em contrario. Governo do Estado de Goiás, 5 de Junho
de 1896, 8 º. Da Republica. (a). Francisco Leopoldo Rodrigues
Jardim, José Xavier de Almeida.
Os membros do conselho Municipal, em oficio de 9 de Março
de 1897, comunicaram ao Presidente e demais membros do poder
legislativo de Bonfim a instalação do município
nos seguintes termos Paço Municipal de Bela Vista, 9
de Março de 1897. Cidadãos Presidente e demais
membros do conselho Municipal de Bonfim. A Intendência
Municipal de Bela Vista vos comunica que em sessão de
ontem, de conformidade com as instruções que recebeu
do Governo do Estado, declarou instalada este município,
e elevado a categoria de cidade o arrail de Bela Vista. Cumpre
a Intendência o grato dever de manifestar- vos o seu reconhecimento
pelos serviços prestados á parte hoje desmembra
do município que sabiamente dirigis. Prevalecendo- se
do ensejo, vos apresenta a Intendência os seus protestos
de apreço e consideração. Saúde
e Fraternidade. (aa) Antônio Cândido da Costa Moraes,
Manoel dos Reis Gonçalves, João de Araújo
Leite, Felicíssimo Domigues, Francisco Joaquim Marques.
Pelo decreto n.º 326, de 13 de maio de 1897, baixado ainda
pelo Cel. Francisco Leopoldo Rodrigues Jardim e pelo Secretario
do Interior, Dr. José Xavier de Almeida, foi criado o
termo jurídico, cuja instalação se realizou
em 9 de agosto do mesmo ano de 1897, conforme consta do termo
de audiência seguinte:
Audiência de 9 de agosto de 1897. Foi aberta pelo porteiro
clemente Jacinto de Souza e presidida pelo juiz municipal Cel.
Francisco Joaquim Marques, que anunciou que, pôr decreto
n.º 326, de 13 do mês de maio próximo findo,
foi criado o termo jurídico de Bela Vista, conforme oficio
de igual data participando-lhe o Diretor Chefe da Diretoria
do Interior do Estado, e que, portanto, declarava instalado
o foro civil e criminal. Eu, Juvencio Domigues, escrivão,
o escrevi. (aa) F. Marques, Juvencio Domigues, Clemente Jancinto
de Souza.
Pela lei n.º 164, de 11 de junho de 1898, foi dada nova
denominação á comarca de Bonfim a sede
para termo de Bela Vista, lei que assim está regida:
Bernardo Antônio de Faria Albernaz, vice- presidente do
Estado de Goiás: Faço saber que câmara dos
Deputados decretou e eu promulgo a seguinte lei: 1º - A
comarca de Bonfim chama-se-á comarca de Bela Vista, passando
sua sede daquela para esta cidade. Art.2 º- Revogam-se
as disposições em contrario. Governo do Estado
de Goiás, 11 de junho de 1898, 10º da Republica.
Bernardo Antônio de Faria Albernaz. José Xavier
de Almeida. A referida lei foi publicada no mesmo dia pelo chefe
de seção dr. José Bernardino Rodrigues
de Morais.
JUIZES DE DIREITO
Com a transferencia da sede da comarca da Bonfim para Bela Vista,
foi consequentemente removido o respectivo juiz de Direito,
dr. Francisco Ferreira Martins Ribeiro, filho do Estado de Pernambuco.
Instalou-se a comarca em nova sede a 1 º de janeiro de
1899. Assistiram ao ato os srs. Cel. Manoel dos Reis Gonçalves,
deputado estadual, Bonifácio da Silva Rocha, intendente
municipal, Vicente Paranaiba, contador do juízo, cel
. Francisco Joaquim Marques, Juvêncio Domigues e outros
pessoas de destaque.
O de. Martins Ribeiro exerceu a judicatura com grande probidade
até 1905, ano em que foi nomeado membro do Superior Tribunal
de Justiça do Estado, posto em que veio a falecer em
novembro de 1923. Foi sempre cercado de real estima pôr
parte dos seus juridicionados.
Ficando vaga a comarca, para ela foi removido a pedido, o juiz
de Direito de Cavalcante, dr. Luiz Sisenando Xavier Serra dourada,
que assumiu as funções do cargo a 16 de Fevereiro
de 1906. Exerceu-o durante nove anos, quando foi nomeada membro
do Superior Tribunal e Justiça do Estado.
O desembargador Luiz Sisenando tornou-se logo digno de toda
a consideração dos habitantes da Comarca, graças
ao seu modo de agir, pautado sempre com a maior honestidade.
Era um verdadeiro juiz que muito bem se compenetrava de seus
deveres, portando- se como verdadeiro sacerdote do Direito.
Aposentando- se, não pode furtar-se ao desejo de retornar
á sua ex- comarca, onde fixou residência; deixou
de residir na capital do Estado, centro indiscutivelmente mais
culto, para viver no seio dos seus ex- juridicionados, a-fim-de
cultivar a suas velhas amizades. Faleceu a 10 de setembro de
1928, deixando a cidade coberta de luto com a sua morte.
Sucedeu-o na comarca o dr. Odorico Gonzaga de Siqueira, que
mais tarde requereu permuta com o juiz de Direito de Catalão,
dr. Luiz Ramos de Oliveira Couto.
O dr. Gonzaga de Siqueira, possuidor de sólida cultura,
caráter impoluto, deixou na comarca gerais simpatias
e sinceras amizades, graças ás suas nobilitantes
quantidades, quer como juiz, quer como cidadão.
Verificada a permuta, assumir o cargo o dr. Luiz Ramos de Oliveira
Couto que, como já estava pleiteando sua aposentadoria,
apenas o exerceu durante mês e dias. Quando nomeado, já
contava na comarca grande numero de admiradores, quer como jurista,
quer como beletrista ilustre e inspirado poeta.
Foi substituído pelo dr. João de Almeida Barros,
paulista, que abandonou a comarca depois de Ter exercido o cargo
pôr mais de dois anos. Foi sucedido pelo dr. Horácio
Diniz da Costa Maia, pernambucano, o qual, incompatibilizando-se
fundamente com os seus juridicionados, pediu remoção
para a comarca de Pouso Alto; faleceu em 1929, na Capital Federal.
Foi então nomeado o dr. Luiz Gonzaga Jaime, que mais
tarde pediu transferência para a comarca de Rio Verde.
É hoje ilustre catedrático de Direito Romano da
Faculdade de Direito de Petropolis, depois de Ter exercido o
cargo de Juiz Municipal de Arassuaí, Estado de Minas
Gerais
Deixou dedicadas amizades na comarca de Bela Vista, graças
ás suas qualidades de Juiz que soube conservar sem mácula
a sua toga de magistrado. É filho do saudoso senador
federal Luís Gonzaga Jaime, que deixou, na Câmara
Alta do País, traços indeléveis da sua
cultura jurídica e do seu talento de escol.
Foi sucedido pelo atual juiz da comarca, dr. Domigues Batista
de Abreu, nomeado pôr decreto n.º 10.077,de 1º
de janeiro de 1929. Assumiu o exercício do cargo a 6
de fevereiro do mesmo ano. Desfruta na comarca de geral conceito,
e sempre procurou agir com critério e inteligência.
JUIZES MUNICIPAL
Exerceu o cargo de juiz municipal, pôr nomeação
do Governo, os srs. coronéis Francisco Joaquim Marques,
Vicente Ferreira da Silva, Pedro Umbelino de Souza, Antônio
Amazonas do Brasil Canedo, João Camilo de Oliveira; majores
Olímpio Araújo Melo, Joaquim Bonifácio
da Silva, Diógenes Domigues, Estêvão Rodrigues
do Nascimento, Manoel de Souza Lobo, Felicíssimo Domigues
e Vicente Bonifácio da Silva, todos já falecidos;
e os srs. major Antenor Nascimento, Manoel Umbelino de Souza,
Aurélio Rodrigues de Morais, Antônio da Silva Carneiro
e dr. Cileneu de Araújo. Em 1934 foi nomeado juiz substituto
da comarca o dr. Donizetti Martins de Araújo, que depois
de assumir as funções do cargo, solicitou sua
transferencia para a comarca de Bonfim. Cidadão distinto
em suas maneiras, esmeradamente educado, abaliza filólogo,
exerce com muita eficiência o magistério nos principais
estabelecimento de ensino de Bonfim: o Ginásio Arquidiocesano
Anchieta e o Colégio de Nossa Senhora Auxiliadora.
JUIZES DISTRITAES
Exercem o cargo de juiz distrital os cel. Francisco Joaquim
Marques, que prestou compromisso perante o conselho municipal
de Bonfim a 2 de junho de 1896, Antônio Silvéro
da Cruz, João Cardoso Teixeira, João Paulino da
Silva, Leolino da Costa Faria, Francisco Medeiros, Silvéro
Lemes da Silva, Juvêncio Domingues, Hermógenes
Antônio Pinto, Joaquim Gregorio da Silva Lima, Bonifácio
da Sara Rocha, Tristão Pires do Prado, Justino Bernardes
de Souza, Antônio Cândido da Costa Morais, todos
já falecidos, e Antônio da Silva Carreiro, José
de Araújo Melo e José Caetano Nogueira.
PROMOTORES PUBLICOS
O primeiro promotor publico da comarca foi o finda José
Delno da Silva, que foi transferido da comarca de Bonfim para
a de Bela Vista, tendo exercido cargo durante dois anos. Foi
substituído pelo finado Joaquim Camilo de Oliveira, que
prestou compromisso a 25 de fevereiro de 1891, tendo exercido
o cargo até 1909, quando foi inesperadamente Comerado,
em conseqüência da radical mudança da político
do Estado para substitui-lo foi nomeado o Sr. Honestino Guimarães,
que não aceitou o cargo. Foi, então, nomeado pelo
presidente do Estado, Dr. Urbano de Gouveia, o Dr. Leopoldo
Augusto de Souza, paulista, que exerceu o cargo durante três
anos, já tendo falecido. Foi substituído pelo
Sr. Nicolau Tontino Marques, que esteve em exercício
durante um ano, sendo substituído pelo Sr. Brasiliano
Roque Teixeira, que exerceu o cargo até 1932, em que
solicitou sua aposentadoria. Faleceu em 8 fevereiro do mesmo
ano. Foi um funcionário inteligente, cônscio de
seus deveres, honesto e criterioso na maior acepção
do vocabulário. Brilhantes foram os paços de sua
gestão na promotora, onde deixou bem patente a intuição
ridica que lhe era peculiar. Foi um grande coração,
que não conheceu mal. Ocupou durante mais de um decência
o magistério, como professor tadual e municipal. Foi
substituído pelo Dr. José do Egito Tavares, moço
culto e inteligente, hoje professor da Faculdade de Direito
em Goiânia. Substituiu-o o Sr. Manoel Joaquim de Araújo.
ESCRIVÃES DE ÓRFÃOS
Creado o termo jurídico, foi nomeado vitaliciamente
o Sr. Juvêncio Domigues, que exerceu o cargo até
a data do seu falecimento, ocorrido a 13 de novembro de 1913.
Era dotado de lúcida inteligência, espirito superior,
coração afeito á pratica do bem. Descendente
da distinta família Vítor Rodrigues, deixou ainda
muito moço a sua terra natal, Catalão, e foi sucessivamente
coletor estadual de Rio Verde, professor em Ipamerí,
encerrando sua existência como escrivão de órfãos
de Bela Vista, onde viveu feliz e cercado de toda consideração,
durante mais de quatro lustros. Exerceu a medicina pratica,
mas conciente, salvando numerosas vidas.
Foi sucedido pelo distinto cidadão Antônio Batista
Arantes, que prestou compromisso em 5 de Dezembro de 1913, tendo
deixado o cargo em 1916, para aceitar o de tabelião do
termo da comarca de Pouso Alto. É um notário modelar,
que soube conquistar a confiança dos seus clientes e
a admiração de seus inúmeros amigos, em
cujo numero nos colocamos. Foi nomeado pôr decreto de
3 de janeiro de 1918, para substituí-lo o Sr. Adelino
Roque de Souza, grande amigo das belas artes, que se exonerou
em 1929, sendo sucedido pelo atual escrivão Sr. Teodomiro
Pacifico Barbosa, funcionário esforçado de trabalhador.
TABELIÃES
O Sr. Flavio Felix de Souza foi o primeiro tabelião
do termo Exonerando- se retornou á sua cidade natal,
Bonfim. Foi substituído pelo Sr. Firmiano da Costa Oliveira,
que exerceu o cargo com rara probidade e inteligência
a partir de 4 de março de 1901 até fevereiro de
1922, quando
faleceu.
Aberta a vaga, foi transferida do 2º. oficio para o 1º.
o Sr. João Batista Serra Dourada, que , em 1933, permutou
o cargo com o atual serventuário Sr. Milton Costa, que
ocupava o cargo de 2º. tabelião. Moço esforçado
e empreendedor, procurou dar nova e mais eficiente organização
ao cartório.
OFICIAIS DO REGISTRA CIVIL
Foram oficiais do registro civil os Srs. João Leite,
Joaquim Camilo de Oliveira, Pedro Maximiano de Oliveira, Leonel
Macedo Machado, todos já Falecidos; Teodomiro Pacifico
Barbosa, Florido do Prado, Adaíl Domigues; atualmente
exerce o cargo o Sr. Djamil Pacifico Barbosa.
O primeiro livro destinado a assentamento de casamentos, exigido
pela lei do Império, de n.º 1829, de 9 de setembro
de 1870, foi aberto, numerado e rubricado pelo vice presidente
da câmara municipal de Bonfim, Sr. Inácio de Souza
Ramos, em 18 de setembro de 1884.
A mencionada lei, que mandou proceder ao recenseamento da população
do Império, autorizou em seu art. 2º. o regulamento
n.º. 5.604, de 24 de abril de 1877, sobre o registro dos
casamentos com o dos nascimento de óbitos.
Estabelecido o casamento civil, após o advento da República,
foi o primeiro livro destinado a tal fim aberto em 29 de janeiro
de 1889, pelo secretário do Estado, Sr. Joaquim Manoel
Corrêa, já falecido.
PODER EXERCUTIVO
Creado o município de Bela Vista, foi pôr unanimidade
de votos eleito intendente o dr. João Leite, farmacêutico,
que, tendo falecido na Capital Federal em 1897, não chegou
a assumir o cargo, exercendo-o primeiro vice- intendente, sr.
Bonifácio da Silva Rocha. Foram eleitos sucessivamente
ao srs. João Pinto, Felicíssimo Domigues, Antônio
Amazonas do Brasil Canedo, Pedro Umbelino de Souza, Manoel de
Souza Lobo, José Bonifácio da Silva Rocha, Joaquim
Vicente Bonifácio da Silva, Olimpio de Araújo
Melo, João Camilo de Oliveira, Vicente Bonifácio
da Silva, todos já falecidos; srs. Antenor de Amorim
Nascimento e João Agostinho de Siqueira.
Com a vitoria da revolução de 30, foi o intendente
municipal, cel. João de Oliveira substituído pelo
sr. Vicente Bonifácio da Silva, falecido a 5 de julho
de 1938. Substituído-o o brilhante jornalista Cassino
Monteiro Guimarães, que exerceu o cargo com reconhecida
eficiência e comprovada honestidade. Exonerando-se, foi
substituído pelo tenente Manoel Góes Moreira que
se incompatibilizou com a totalidade do povo do município,
sendo substituído pelo dr. Francisco Taveira, ilustre
facultativo, moço idealista e patriota, que soube conquistar
a confiança de seus munícipes. O eleitorado do
município, num gesto altamente honroso para o dr. Francisco
Taveira, elegeu-o pôr unanimidade prefeito constitucional
de Bela Vista, como prova de reconhecimento pela sua atuação
em pról do bem coletivo. Exonerando- se, a pedido, foi
nomeado pôr decreto n.º 671, de 2 de maio de 1938,
o atual prefeito, sr. Sebastião Lôbo, irmão
do autor destas notas.
Todas as classes sociais de Bela Vista, receberam com muito
agrado a nomeação de Sebastião Lôbo.
Entre as diversas referência que lhe fez a imprensa Goiânia,
destacamos a seguinte enviada ao POPULAR, de Goiânia,
pelo seu correspondente em Bela Vista:
Com o recente ato do Sr. Interventor Federal neste Estado, dr.
Pedro Ludovíco, foram os destinos de Bela Vista entregues
á direção do sr. Sebastião Lôbo.
O novo prefeito, logo depois de tomar posse do cargo, viajou
para Goiânia, a tratar de vitais interesses locais. Em
assim conseguiu, entre outros benefícios, o auxilio do
Estado para a reconstrução da rodovia que liga
a nossa cidade a capital. A estrada, de que há muito
se achava em completo abandono, quais intransitável,
já recebeu a primeira turma de trabalhadores em nossos
subúrbios, e promete, depois de concluída, tornando-se
uma das principais do Estado.
Já está o Sr. Prefeito projetando, para dar inicio
imediato ás obras, a reconstrução da estrada
que nos liga a Pouzo Alto.
A sua febre de remodelação vem atingindo vários
setores da administração e um novo halo de progresso
já sopra Bela Vista, estando a sua população
jubilosa pôr ver em Sebastião Lôbo a encarnação
perfeita do Estado Novo.
Á febre de trabalho do povo belavistense, ao anceio de
progresso que o anima, vem- se casar a administração
fecunda e honesta do seu jovem administrador.
TRABALHOS EXECULTADO PELAS DIVERSAS
ADMINISTAÇÕES
O primeiro regimento interno do Conselho Municipal, ainda
em vigor, foi organizado pelo cel. Francisco Joaquim Marques
e promulgado em 2 de julho de 1897, pelos conselheiros municipais
cel. Antônio Cândido da Costa Morais, major João
Antônio Pinto, Felicíssimo Domigues, José
Basilio Ribeiro da Silva, Francisco Borges Tapera, José
Benedito Teles, Joaquim Bonifácio da Silva e Nicolau
Tolentino Marques, único sobrevivente.
O primeiro código de posturas do município foi
também organizado pelo cel. Francisco Marques e promulgado
em 1º de dezembro de 1903 pelo intendente municipal Antônio
Amazonas do Brasil Canedo, falecido aos 34 anos de idade, a
28 de fevereiro de 1905, filho do saudoso senador Silva Canedo.
Pela lei n.º 55, de 28 de dezembro de 1929, sancionada
pelo intendente cel. João Camilo de Oliveira, falecido
aos 61 anos de idade, em 8 de agosto de 1935, foi o primitivo
código de posturas revogado.
O segundo código, em vigor, foi compilado pelo autor
destas notas históricas, e votado pelos conselheiros
municipais Vicente Bonifácio da Silva, Diógenes
Domigues, Modesto Rios, já falecidos ( o último
faleceu em 29 de junho de 1935, em Araguarí, Estado de
Minas); Aramis Jardim Moacir de Araújo Canedo e João
Augusto Roriz.
Pelo intendente cel. Pedro Umbelino de Souza, foi creado o regulamento
da instrução primária do município,
aprovado pelo conselho municipal em 7 de novembro de 1911. É
um ótimo trabalho, que muito recomenda a administração
municipal daquela época.
Pelo intendente major Antenor de Amorim Nascimento, foi sancionado,
pôr ato de 26 de janeiro de 1924, o primeiro e único
regulamento da fiscalização das arrecadação
das rendas do município. Com a sua aprovação
desapareceu a lacuna existente no município, que durante
mais de cinco lustros vinha dirigindo os negócios de
sua economia pública sem lei que cuidasse do controle
de sua renda, quando é certo que as leis, quando sábias,
constituem base de um bom governo.
O regulamento em apreço, como é natural, tem prestado
relevante benefícios á administração
municipal, concorrendo para um arrecadação mais
perfeita.
Pela lei n.º 7 de 26 de janeiro de 1924, foi pela primeira
vez dada denominação ás ruas e praças
da cidade. Pela lei n.º 8 de 26 de janeiro de 1924, foi
creado o arquivo municipal, projeto de autoria do conselheiro
Nicolau Tolentino Marques. Pela lei n.º 30, de 6 de novembro
de 1925, foram estabelecida as férias especiais aos funcionários
municipais. Pela lei n.º 35 de 18 de outubro de 1926, foi
autorizado o fechamento do perímetro urbano. Pela lei
n.º 37 de 18 de janeiro de 1927, foi concedido um auxiliar
de 2:000$000 ao município de Campinas para prolongamento
da linha telegráfica de Bela Vista até aquela
cidade, auxiliar efetivado após a promulgação
da respectiva lei. n.º 49, 25 de setembro de 1928, foi
sancionado o ato que criou a biblioteca municipal.
Na administração do intendente Manoel de Souza
Lôbo, falecido a 7 de outubro de 1907, pai do autor destas
notas, foi obstado que o sr. José Pereira de Oliveira,
já falecido, que habitava numa chácara muito pitoresca
á margem direita do córrego Sussuapara realizase
um fecho que iria prejudicar fundamente o trânsito público,
conforme reza a petição seguinte: Ilmo. Snr. Juiz
Municipal cel. Francisco Joaquim Marques. Manoel de Souza Lôbo,
intendente municipal, cliente que José Pereira de Oliveira
está levantando uma cerca de arame além do córrego
Sussuapara, próximo da ponte do mesmo córrego,
na estrada desta cidade para Pouso Alto e Capital do Estado,
cujo serviço vem prejudicar consideravelmente o trânsito
e servidão publica, vem pôr isso, amparado pela
lei, requerer a V.S. se digne mandar intimá-lo e bem
assim a todos os seus trabalhadores para não continuarem
o referido serviço sob as penas da lei: com o que, E.
Deferimento. Bela Vista, 26 de Agosto de 1899. (a) Manoel de
Souza Lôbo, intendente municipal.
Na administração Bonifácio da Silva Rocha,
falecido em 1933, foi iniciada a construção do
prédio destinado á cadeia e fórum, obra
que custou grande esforço e sacrifício, dada a
renda do município. Para sua situação,
foi necessário que se recorresse aos habitantes do município,
que contentes com os efeitos de sua autonomia política,
não lhe negaram auxílios.
Na administração Pedro Umbelino de Souza, falecido
a 6 de junho de 1930, foram creadas diversas escolas rurais,
que prestaram reais benefícios.
Na administração Olímpio de Araújo
Melo, falecido a 28 de março de 1935, foi inaugurada
a linha telegráfica de Bela Vista a Pouzo Alto, num percurso
de 42 quilômetros, Todavia, deve ficar bem esclarecido
que município, em conseqüência da falta de
numerário, na ocasião, não concorreu com
nenhum auxílio, a tão importante melhoramento;
sobre este assunto, adiante, em capitulo especial, serão
conhecidos os meios pelos quais foram angariados recursos para
o prolongamento da linha até Bela Vista.
Na administração João Camilo de Oliveira,
eleito para completar o quatriênio do intendente José
Bonifácio da Silva Rocha, falecido em fevereiro de 1921,
foram pagas todos as passivas encontradas, conforme resumo que
transcrevemos: Demonstração da receita arrecadada
durante a gestão do baixo assinado, referente ao período
de 29 de outubro de 1921 a 29 outubro de 1923. Importância
liquida da porcentagem de 15% deduzida pelo coletor municipal
Domigues Batista Arantes, 13:572$393. Foi despendido durante
aquele período, conforme consta das respectivas folhas
de pagamento, divida passiva anterior á administração
de que se dar conta, gratificação e expediente,
9: 423$057. Balanço de saldo a favor do município,
4:149$378. Bela Vista, 30 de Outubro de 1923. (a) João
Camilo de Oliveira.
A demonstração transcrita foi enviada ao Conselho
Municipal acompanhada desta expedição: Srs. Membros
do poder Legislativo deste município. Cumprindo, com
satisfação, o dever que me impõe o s 21
do art. 53, da lei orgânica dos municípios do Estado
venho apresentar-vos conta, nesta mensagem, de todos os negócios
referentes á minha administração, cujo
mandato se extinguiu a 29 do mês findo. Como não
ignorais, fui eleito para o cargo de intendente municipal desta
cidade para completar o quadriênio interrompido com o
falecimento do Sr. José Bonifácio da Silva Rocha,
havendo os meus distintos companheiros do diretório político
local escolhido o meu obscuro nome para sucede-lo, sendo, então
por grande generosidade do eleitorado deste município,
eleito pôr unanimidade. A eleição teve lograr
no dia 20 de Setembro de 1921, havendo assumido o cargo após
o compromisso legal. Infelizmente encontrei o município
em precarissima situação em todos os seus aspectos.
De inicio, na medida da minhas forcas, procurei organizar a
secretaria da intendência o que não alcançou
o efeito almejado em virtude das dificuldades aliás previstas.
Não tendo o conselho municipal votado a lei orçamentaria
para vigorar nos exercícios de 1922 e 1923, fui forçado
a prorrogar a do ano de 1921, ex-vi do 8º do art. 58 da
lei n.º 205, de 7 de agosto de 1896. No vigente, 1923,
verificada completa acefalia no poder legislativo, levei o fato
ao conhecido da Presidente do Estado, que de conformidade com
o que prescreve o art. 8 da lei n.º 129, de 23 de Junho
de 1897, nomeou para conselheiros os Srs. Vicente Bonifácio
das Silva, Diogenes Domingues, João Augusto Roriz, José
Ferreira de Moraes, Antônio da Silva Carneiro, Iracino
Bonifácio das Neves e João Batista de Carvalho.
O concelho, dado o seu caracter transitório, não
teve oportunidade de prestar á minha administração
o desejado concurso. Reconheço não Ter correspondido
In Totum á confiança que o eleitorado deste município
em mim depositou, sufragado o meu humilde nome, mas, em compensação,
tenho a consciência tranqüila, pois que, tendo recebido
a Intendência sem um real e grandemente sacrificada com
dividas, a entrego ao meu ilustre sucessor maior Antenor de
Amorim Nascimento, com um saldo de 4:149$318 e inteiramente
libertada de compromissos monetários. Estou certo de
que, do esforço patriótico e da reconhecida boa
vontade do meu sucessor, muito irá lucrar esta cidade
tão digna de todo bem estar e de todo engrandecimento.
Filho desta terra, ao serviço dela dedicar o maior esforço
no ardente desejo de vê-la prosperar. Não me foi
possível cumprir rigorosamente todas as leis municipais
porque, para o bom andamento do machismo administrativo é
indispensável a função regular do conselho,
o que infelizmente não se deu na minha gestão.
De modo que, pôr esse motivo, aliás justificável
e do domínio publico fui forçado a tomar deliberações
e fazer algum serviço sem previa autorização
do poder legislativo. Apesar de não me ser isso permitindo,
peço-vos permissão algumas providencias que me
parecem convenientes á municipalidade. E assim, penso
ser de imprescindível necessidade crear-se um tributo
elevado sobre os proprietários de carros ferrados com
peão, que fazem grande estrago nas praças e ruas
publicas. No Congresso Estadual há, nesse sentido, um
projeto já votado em segunda discussão, elevado
o imposto sobre carros de peões. Os lavradores deveriam
adotar carros de chapas ou carrões afim de se evitarem
constantes estragos nas estradas publicas. Penso também
ser de palpitante necessidade que as ruas desta cidade sejam
denominadas pôr lei especial, colocando-se nelas as respectivas
placas. A receita do município é deveras reduzida,
sendo necessário que os dignos conselheiros estudem com
critério os meios de elevá-la, sem todavia sobrecarregar
os contribuintes com grande majoração de imposto.
Formulando os melhores votos para que, da vossa reunião
ordinária, resulte grande soma de reais benefícios
ao nosso município, apresento- vos os meus protestos
de elevado apreço e distinta consideração.
( Datada de 1º de novembro de 1923.)
O major João Camilo de Oliveira foi sucedido pelo major
Antenor de Amorim Nascimento, que, assumindo o governo municipal,
dirigiu ao conselho a judiciosa mensagem seguinte:
Senhor Membro do Conselho Municipal. Ao assumir as cedias do
governo municipal, venho hoje dar cumprimento ao dever que me
assiste de sugerir- vos em mensagem algumas medidas que se me
afiguram de vantagem e de imperiosa necessidade á minha
administração, afim de que possa levar a bom termino
a tarefa que me foi confiado. O mesmo dispositivo legal que
impõe o dever de vos enviar esta mensagem, obriga-me
também a remeter- vos a proposta da receita e da despesa
deste município para a votação do orçamento
a vigor no ano de 1924. Só em uma escrituração
rigorosa poderia eu encontra os necessários dados para
uma proposta orçamentaria que exprimisse exatamente a
verdadeira situação deste município, dando-vos
a media exata da sua capacidade econômica. Como sabeis,
porém, não há aqui ainda uma verdadeira
organização municipal com escrituração
completa. Esta alta obriga-me a proceder de modo diferente,
mandando- vos, ao envies de uma proposta orçamentaria,
uma copia autentica do orçamento que vigorou no presente
ano, para que vos sirva de base para a votação
da lei de meio para 1924. Nada poderia fazer sem a vossa impressidivel
colaboração tão proveitosa quão
eficaz em todos os empreendimentos que dizem respeito ao levantamento
das forças deste município, afim de que ele se
erga do entorpecimento material em que esteve até 1921.
Da completa harmonia de vistas entre os poderes executivos e
legislativo, congregando ambos os melhores dos seus esforços
e de suas energias em prol da obra de engrandecimento do município,
depende a eficiência a minha administração,
a que procurei dar sempre um cunho de trabalho, tendo pôr
oscopo o bem publico. Como não ignorais, senhores membros
do Legislativo, é bastante árdua a tarefa do levantamento
da cidade do seu município, pois nada temos, a começar
pelo aparelhamento do serviço administrativo, constituindo
tudo isso um trabalho assas grande para ser levado a efeito
só período da minha administração,
muito embora esteja animado da melhor boa vontade, contando
com o vosso concurso para enfrentar a situação.
Nas considerações que tenho feito sobre predecessor,
meu amigo e dedicado companheiro de lutas políticas,
sr. Major João Camilo de Oliveira, que aliais, só
merece elogios pela sua administração prudente,
ativa e sobretudo honesta, que muito o recomenda á gratidão
do novo de Bela Vista. Sem o indispensável concurso do
conselho municipal, que finalmente se tornou acephalo, o meu
antecessor, no curto lapso de tempo de sua gestão, fez
o que só faria um espirito enérgico e forte, amantes
sobretudo do progresso de sua terra. Sem outro recurso que não
o das rendas ordinárias, conseguiu resgatar as dividas
da municipalidade e equilibrar as suas finanças, deixando
um saldo em cofre da quantia de 4:149$318. Fez muito. Por isso
mesmo merece os meus louvores e reconhecimento dos belavistenses.
Ao iniciar a minha gestão administrativa, não
acaricio vãs esperanças de realizar empreendimento
que as nossas possibilidades econômicas não comportam,
mas tão somente o desejo de encetar a obra do engrandecimento
desta terra, preparando o advento de melhores dias, afim de
corresponder á confiança dos que unanimemente
sufragaram o meu nome para o cargo de governador desta cidade.
Para a realização deste desideratum, peço-vos
permissão para vos ponderar que, não obstante
a pequena extensão territorial do município, habitado
por uma população constituída de gente
trabalhadora, a sua capacidade tributaria não está
exgotada, comportando ainda não só a elevação
de alguns impostos, como também a criação
de povos, sem que o povo fique muito honerado. Todavia, deixo
este aumento á vossa clarividência e critério,
obstando- me de fazer sugestões sobre novas fontes de
renda a se crearem. Releva ponderar vos também que o
orçamento que vai vos servir de base para organização
do que deve vigorar no ano de 1924, vem sendo pregado há
dois exercícios, estando nele consignada uma verba á
instrução correspondente ás necessidades
do momento, quando o ensino primário estava a cargo dos
municípios. Hoje o ensino é centralizado e não
pesa aos cofres municipais; pôr isso acho que o aumento
da receita resultante dos vossos trabalhos na presente sessão
deve levar em conta a verba de obras publicas, que requer grande
aumento, não só para que possam ser atacados os
melhoramento de que carece a cidade como também para
que possa ser feita a aquisição de um prédio
que se pretende pôr á disposição
do Estado para que, de acordo com a lei que regula o assumpto,
seja instalado um grupo escolar nesta cidade, o que será
o maior beneficio que minha administração pode
prestar ao povo. Sendo o fumo o principal artigo da nossa exportação,
constituindo pôr isso a maior fonte de renda do município,
acho que o poder legislativo municipal deve amar o executivo
de uma lei que vise garantir a procedência do nosso produto,
evitando assim a exploração que muito o desmoraliza
e deprime nos mercados consumidores, fazendo passar pôr
fabricado neste município fumo de péssima qualidade,
oriundo de outros lugares. Seria bastante para isso que o fumo
fabricado neste município obrigatoriamente levasse um
carinho da municipalidade. O sr. major Aurélio Rodrigues
de Moraes, importante fazendeiro neste município, pretende
construir uma estrada de automóveis, servida pôr
linha telefônica, ligando esta cidade á estação
de Ubatan, da Estrada de Ferro de Govas. Considero de grande
de vantagem para esta cidade esse empreendimento de iniciativa
particular, pelo que penso que o conselho faria obra de patriotismo
autorizando o executivo a conceder um auxilio para aquele fim.
Em synthese, é que tenho a vos dizer nesta minha mensagem.
Nem é necessário mais. O vosso patriotismo e a
vossa esclarecida inteligência, estou certo, vos ditarão
medidas que muito concorrerão para a evolução
econômica deste município, para cujo desideratum
me encontrareis sempre no cumprimento do meu dever. Secundado
pôr vós, espero que minha ação será
profícua e os meus esforços não serão
perdidos. A todos vós, senhores do poder legislativo,
as minhas saudações e os votos de constante solidariedade
entre os dois poderes, o executivo e o legislativo. Bela Vista,
19 de novembro de 1923. (a) Antenor de Amorim Nascimento.
O major Antenor de Amorim Nascimento, quando eleito intendente
municipal, exercia o mandato de senador estadual, que o obrigava
a passar as funções executivas, na época
dos trabalhos legislativo, ao seu substituto legal, o1º
vice- intendente Francisco Medeiros, natural de Bagagem, Estado
de Minas Gerais, que residiu em Bela Vista durante 28 anos,
tendo falecido em julho de 1935, na avançada idade de
82 anos. Foi sempre cercado de toda consideração.
Tinha pôr lema a honestidade e a lealdade para com os
seus amigos. Foi um grande patriota deixando traços indeléveis
de sua administração municipal, que ligaram o
seu nome a história de Bela Vista. Não tinha nenhuma
ligarão de parentesco com a sociedade que beneficiou,
a que nenhum interesse o prendia senão o de querer administrar
o município patriótica e desinteresadamente. Pôr
todas essas circunstância, merece menção
especial, que poderá servir de estímulo á
posteridade.
Foram construídas na sua administração
as pontes sobre os córregos que banham a cidade- Ponte
de Terra e Sussuapara- tendo também sido abauladas e
sargeteadas as ruas cel. Francisco Marques, N.S. da Piedade
cel. Morais, 11 de julho, Travessa “ Folha do Sul”,
numa extensão de mais de oito mil metros. Foi pôr
ele sancionada a lei n.º 14, de 8 de julho de 1924, creando
o Grupo Escolar. Obediente á lei, teve oportunidade de
dirigir ao poder legislativo os relatórios abaixo transcritos:
“Ilmo. Srs. Presidente e demais membros do conselho municipal
desta cidade. Em cumprimento ao dever que me assiste, ex-vi
do disposto no art. 53, s 6º. e 11º. da lei orgânica
dos municípios, n.º. 205,de 7 de agosto de 1896,
envio-vos a inclusa proposta da receita e da desseza deste município
para a votação do orçamento vigorar no
exercício e 1925. É excursado dizer-vos que, na
qualidade de 1º. Vice- intendente e usando revestindo das
funções do poder executivo, missão assaz
espinhosa, nada poderia fazer sem a vossa proveitosa colaboração,
tão eficaz a todos os melhoramento de que necessita este
município. Julgo oportuno e também do meu dever
dizer- vos que o major Antenor de Amorim Nascimento, intendente
municipal, não tem poupado esforços para elevar
a administração municipal, que, graças
á nova organização, vai recuperando as
suas forças vitais. Esse conselho em boa hora votou o
projeto, hoje convertido em lei, autorizando o executivo a adquirir
um prédio para o fim de ser creado o grupo Escolar. Em
seguida á sanção, adquirir o prédio
então de propriedade do sr. Urais Ribeiro, situado na
rua 11 de julho, conforme escritura publica de compra e venda
passada nas notas do tabelião Milton Costa, datada de
10 de junho do corrente ano, tendo em 2 do fluente lavrado a
escritura de doação do mesmo prédio ao
Estado, que irá custar e manter o Grupo Escolar. Trata-
se, incontestavelmente, de um melhoramento relevante que a atual
administração presta á cidade, e assim
não posso furtar-me ao consignar, na presente exposição,
o nome do deputado estadual Manoel Umbelino de Souza que, com
a melhor solicitude, conseguiu do governo do Estado, conjugado
com os esforços do meu particular amigo sr. José
Ferreira de Souza Lôbo, a creação do Grupo,
que será inaugurado brevemente, para o que, segundo posso
assegurar- vos, o único entrave ainda existentes é
a falta de professoras normalistas; espera-se, entretanto, que
esse obstáculo desapareça, dadas as providencias
já tomadas pelo senador Antenor de Amorim Nascimento
e do conhecimento do poder legislativo. Como sabeis, o município
foi obrigado, para adquirir o prédio, a contrair um empréstimo
ajustado com o sr. João Camilo de Oliveira, na importância
de nove contos de reis, empréstimo esse autorizada pela
lei n.º 13, de julho ultimo; para cobrir esse compromisso,
evitando- se interrupção das obras publicas já
iniciadas e bem adiantadas e outras em projeto, é mister
que o poder legislativo procure aumentar a renda. Creio não
ser necessário estender- me ainda mais, visto estar certo
de que, graças ao vosso reconhecimento patriotismo, medidas
garantidoras da evolução econômica deste
município serão tomadas, convenientemente, para
o que estarei sempre prompto a prestar o meu obscuro concurso,
quando revestido do poder executivo. Apraz- me do ensejo para
apresentar a todos os Srs. membros do Conselho os meus protestos
de elevado apreço e distinta consideração,
acompanhado de atenciosas saudações. Bela Vista,
15 de Setembro de1924. (a) Francisco Medeiros.
Outra mensagem:
Ilmos Srs. Presidente e demais membros do Conselho Municipal.
Em cumprimento ao dever que me assiste, imposto pôr lei,
venho cumpri-lo, com prazer; dando-vos conta de todos os meus
atos praticados na qualidade de 1º vice-intendente deste
município, quando revestido das funções
do cargo, em diversos períodos. Preliminarmente vos declaro
que, na medida de minhas forças tenho procurado corresponder
á confiança que o eleitorado deste município
me dispensou, na eleição realizada no dia 7 Setembro
de1923. Confirmo o meu relatório, enviado a esse poder
em 15 de outubro ultimo. Sancionei os seguintes projetos: o
de n.º 14, de julho, autorizando o poder executivo a adquirir
um prédio destinado ao funcionamento de um Grupo Escolar;
o de n.º 24, de 23 de setembro, autorizando o executivo
a pôr em concorrência publica o serviço de
abastecimento de carne de gado vacum á população;
o de n.º 20, de 18 de outubro, orçado a receita
e a despesa para o ano de 1925; o de n.º 19, de 8 de julho,
autorizando a contatar com Guido Ungarellio assentamento de
sargetas; o de n.º 17, de 8 de julho, autorizando o executivo
a mandar fechar o muro o pateo da cadeia publica; o de n.º
16, de 8 de julho, autorizando a contrair o empréstimo
da quantia necessária á aquisição
do prédio para instalação do Grupo Escolar,
e outros de menos importância. Tempo procurando, tanto
quanto possível, cumprir todas as leis votadas e sancionadas.
Em observância ao regulamento da arrecadação
e fiscalização das rendas municipais, nomeei inspetores
rurais para preenchimento das doze seções rurais
existentes no município, tendo todos os nomeados prestado
compromisso legal. Exonerei, e pedido, o coletor José
Tristão do Prado, nomeando para substituir- lo o sr.
Euzebio de Siqueira, em dias do mês de outubro, o qual
entrou em exercício depois de haver prestado a fiança
exigir pelo art.3 da lei orgânica dos municípios.
Para aliviar a grande carestia de vida que ultimamente se verifica
nesta cidade, tomei o alvitre de dirigir- me ao Governo do Estado,
solicitando medidas de emergência, tendo felizmente esse
apelo sido colaborado pôr diversos outros Intendentes
Municipais, em boa hora o presidente Cel. Miguel da Rocha Lima,
tendo em vista as justas reclamações que lhe foram
dirigidas, baixou o decreto n.º 8.464. e 26 de novembro
ultimo, suspendendo temporariamente a exportação
de genros alimentos para fora do Estado. Foi uma providencia
salutar, que em concorrendo para que os mais necessários
genros á alimentação não aumenta
preços que só os abastados poderiam alcançar.
Parecem – me não ser oportuno declarar- vos que
a atual administração municipal tem sido cunda,
eis que os melhoramentos já concluídos e outros
em andamento estão á vista de todos os habitantes
desta cidade e do município. Na inha gestão, a
receita recolhida á Tesouraria, deduzida a comissão
o respectivo coletor, atingiu o total de 9:977$519, e a despesa
em geral o tal de 12:425$720, conforme demonstração
junta. São estas, srs. membros do legislativo, as informações
que com prazer, venho de vos expormos – vos digneis relevar
as lacunas existentes neste pequeno, mas sincero latorio. Atenciosas
saudações (a) Francisco Medeiros. 1º. vice
– Intendente em exercício. Bela Vista, 31 de dezembro
de 1924.
O cel João Camilo de Oliveira, eleito intendente municipal
pela segunda vez, no ato de sua posse verificada a 1º de
novembro de 1927, a segunda mensagem:
Srs. membros do conselho, exmas. senhoras, gentis senhoritas,
demais senhores. Assumindo o cargo de intendente Municipal desta
cidade, para o qual nos elegeu o sufrágio unanime do
eleitores, na eleição de 20 de setembro próximo
findo, cumpre – me tornar publico a nossa gratidão
aos próceres dos destinos políticos locais, e
bem assim os nossos municípios, pela maneira com que
se houveram depositando nos dada confiança para gerir,
pela segunda vez, os negócios públicos deste município.
Cabe- nos pois, assegura – vos que não trairemos
essa confiança e que todo o nosso esforço, congregado
com o patriotismo e a claridade visão dos srs. presidente
e demais membros do poder legislativo municipal, será
empregado pela prosperidade desta terra e pelo bem coletivo.
Para que sejamos úteis, tornando profícuo o quadriennino
administrativo, tudo faremos pelo que mais urgir, delimitando
o nosso campo e ação nas raias das nossas possibilidade
financeiras, e senhor, já mais se podem desentender para
a finalidade visada pôr nós, portanto um serviço,
aliás necessário, qual o da iluminação
publica, vem para observar mais da metade das rendas anuais.
Não obstante a revisão do orçamento e a
reforma tributaria, sem acarretar maior anos aos contribuintes,
poderão suprir em parte em aquela falta e o erário
empresado escrupulosa e inteligentemente, bastará para
sanar as primeiras necessários de obras publicas. Se
as circunstancias o permitirem, com a patriarca dos nossos edis,
trataremos um matadouro publico, criaremos algumas escolas nos
bairros mais populosos, trataremos de beneficiar os proprietários
agrícolas com a construção de algumas pontes,
trataremos da construção de um jardim em uma das
principais praças da cidade e procederemos sistematicamente
no melhoramento de nossas ruas. Eis, estimados conterrâneos,
o que se nos antolha á imaginação, com
as nossas esperanças. A tarefa é bastante árdua
e bem grande a nossa responsabilidade, porém, continuaremos
a administração inteligente e fecunda que hora
se encerra e talvez com mais amor ainda trataremos desta terra
e zelaremos pelo seu destino, num gesto de gratidão eterna
, pôr abrigar em seu seio os restos mortais de nossos
antepassados, que souberam também amar esta terra que
lhes serviu de Natal, e que é ainda e será sempre
a pia sagrada onde a luz do sol banha a alma dos nossos filhos.
Concidadãos, nos vos somos grato pela magnitude deste
momento, pôr isso atendei-nos; num só esforço
inteligente, unamos nossos corações, cooperando
sem receios pela felicidade de nossa terra, cuidando da sua
grandeza e do seu futuro promissor.
O Intendente João Camilo de Oliveira procurou cumprir
o seu programa administrativo, tendo reconstruído radicalmente
o paço municipal, cujas obras ficaram em mais de vinte
contos de reis. Beneficiou diversas ruas com abalamento e sargeteamento,
não tendo completado o seu programa patriótico,
em virtude do movimento revolucionário de 30. Na sua
gestão foram sancionadas as leis seguintes: n.º40,
de 14 de Novembro de 1927, orçando a receita e fixando
a despesa do município em 1928 (orçamento de 49:177$000);
n.º41 autorizando o executivo a abalamento de ruas; 45,
facultando o pagamento de imposto sem multa; n.º46 autorizando
a ratificar o contrato para instalação de força
e luz elétrica, todas de 14 de Novembro de 1927. As de
n.º 49,50,51,53 e 54, de 25 de Setembro de 1928, respectivamente
criando uma biblioteca municipal, concedendo auxilio á
política, prorrogando a prazo á Empresa de força
e luz, determinando o fechamento da travessa da liberdade, orçando
a receita e fixando a despesa do município em 1929, revogou
o antigo código de posturas; a de n.º54 de 16 de
Novembro de 1929, orçou a receita e fixando as despesas
do município em 1929 ( orçamento de 47:546$000).
A lei n.º55, de 28 de Dezembro de 1929, revogou o antigo
código de posturas; a de n.º 54, de Novembro de
1929, orçou a receita e fixou a despesa do município
em 1930, na quantia de 41:639$000.
REPARTIÇÕES ARRECADADORAS
O primeiro coletor estadual foi o Sr. José André
Rossi, de nacionalidade italiana, o qual exerceu o cargo deste
a creação do município; aposentando-se,
transferiu-se sua residência para Pouso Alto, onde faleceu
em 1930, na avançada idade de mais de cem anos. Foi substituído
pelo Srs. Bonifácio da Silva Rocha, falecido em 1933.
Com a morte do coletor Silva Rocha, foi no nomeado o atual coletor,
Sr. José Ferreira de Morais que exercia o cargo de escrivão
da mesma coletoria, hoje exercido pelo Sr. Franklin Gonçalves.
Até 1906, o referido coletor Rossi exerceu cumulativamente
o cargo de coletor federal. Pôr decreto de 2 de Outubro
de 1916, foi o Sr. Modesto Rios nomeado coletor federal, tendo
falecido em Araguarí em Julho de 1935. Em 1922, foi nomeado
escrivão da coletoria federal o Sr. Gil Martins, que,
exonerando-se, foi substituído pelo atual, Sr. Jarbas
Raimundo de Brito.
Exerceu pôr muitos anos o cargo de escrivão da
coletoria estadual o finado Hermógenes Antônio
Pinto.
A coletoria municipal tem sido exercida pôr diversos,
sendo atualmente coletor o sr. Geraldo Umbelino de Souza.
INSTRUÇÃO
Á generosidade do saudoso intelectual goiano Joaquim
Bonifácio de Siqueira, falecido em Bonfim aos 23 de novembro
de 1923 cuja pena adamantina muito se bateu pelos interesses
do nosso futuroso Estado, devemos a remessa do Correio Oficial
de 1º de abril de 1876, que publicou uma noticia sobre
os festejos da inauguração da primeira casa de
instrução de Bela Vista, instalada no dia 21 de
janeiro de 1876.
O ato da inauguração revestiu- se todo brilhantismo
possível. As nove horas, todos assistentes se reuniram
na pequena, capela de Nossa Senhora da Piedade, então
filial da Matriz de Bonfim, onde foi cantado solene Te- Deum
em ação de graças beneficio que o arraial
acabava de receber.
Depois dessa solenidade, organizou- se o préstito que
se dirigiu o prédio da aula, rigorosamente pelo sr, Luiz
José de Siqueira, o único negociante da localidade,
naquela época. Usaram da palavra, no ato inaugural, o
comendador Francisco José da Silva, e o Padre Antônio
Evaristo da Costa Campos, vigário de Bonfim. Ambos, em
breve locução, se congratularam com os habitantes
do povoado por tão auspicioso acontecimento.
A noite houve intima festa dançante em casa do sr. Luiz
José e Siqueira, usando da palavra nessa oportunidade
o Rvmor Vigário Padre Antônio Evaristo da Costa
Campos, que, apesar de sua avançada idade e do seu precário
estado de saúde, quis honrar os festejos com a respeitável
presença.
O prédio destinado ao funcionário da primeira
escola creada arraial foi edificado ás expensas do senador
Antônio Amaro da Silva Canedo, sendo depois doado ao Estado.
Todos os atos foram abrilhantados pela corporação
musical banda de Bonfim, sob a regência do maestro Antônio
Manoel Xavier.
Foi primeiro professor o Sr. Pedro Frederico Brandão,
que exerceu o cargo durante quatro anos. Com o seu falecimento,
ocorrido em Bonfim, onde se encontrava em Gozo de férias
foi nomeado o Sr. Genuíno José Correia, que cursou
o Seminário Diocesano de Goiás, onde revelou muita
inteligência, deixando o cargo de professor primário
de Bela Vista para ocupar o de Secretario do Tribunal de Justiça
do Estado.
Foram professoras primárias as senhoras Exordina Amélia
Isolina de Sousa, Idalina Umbelino de Sousa, falecido a Novembro
de 1936, a religiosa Irmã Maria Celina, da Congregação
Dominicana.
Pelo cel. Antônio Cândido da Costa Morais e sua
esposa dona Ludovico de Araújo Morais, ambos já
falecidos, foi doado á Mitra, pôr escritura pública
de 26 de Janeiro de1901, passada nas notas do tabelião
Firmiano da Costa Oliveira, o prédio situado na praça
senador Canedo, para o fim de ser mantido um Colégio
de Freiras. Este foi instalado sob os auspícios do Bispo
Dom Eduardo Duarte e Silva, em 1904, com grande freqüência
de alunos internas, semi-internas e externas. Denominava-se
Colégio Santa Catarina de Sena. Em 1909 foi equiparado
á Escola Normal do Estado, equiparação
que se deve exclusivamente aos esforços do Senador Manoel
Gonçalves dos Reis. Infelizmente, o Colégio foi
fechado caprichosamente, no ano de sua equiparação,
depois de haver beneficiado uma Plêiade numerosa de moças
inteligentes, sob a direção das beneméritas
educadoras Dominicanas.
Pela lei seguinte, foi creado o grupo Escolar da cidade: Lei
n.º14 de 8 de Julho de 1924. Francisco Medeiros, 1º
Vice-Intendente em exercício da cidade de Bela Vista,
faço saber que o Conselho Municipal decretou e eu sanciono
a seguinte lei: Art. 1º- Nos termos do Art. 1º s único
da lei estadual n.º 694, de Julho de 1924, fica creado
um grupo escolar nesta cidade. Art. 2º- fica o Intendente
Municipal autorizado a adquirir pôr compra um prédio
para funcionamento do grupo. Art.3º- O prédio será
doado ao Estado para a manutenção do grupo, ficando
o Intendente autorizado a outorgar a respectiva escritura de
doação. Art. 4º- Fica concedida a necessária
autorização ao poder executivo para fazer as necessárias
operações de crédito para execução
da presente lei. Art.5º Revogam-se as disposições
em contrario. Bela Vista, 8 de Julho de 1924. (a) Francisco
Medeiros, 1º Vice-Intendente em exercício.
O Governador do Estado tendo em vista a Fundação
do Grupo Escolar, baixou o seguinte decreto: Decreto n.º
8.506, de Janeiro de 1925. O presidente do Estado, considerado
que o Conselho Municipal de Bela Vista, pela lei n.º14,
de 8 de Julho do ano passado, fundou um Grupo Escolar modelado
pelas leis do Estado, e autorizou o respectivo Intendente a
fazer a este a doação do prédio de propriedade
da municipalidade, para esse fim adquirido, considerando Ter
sido remetida ao Governo a planta do doação para
os fins legais, aprovada a planta referida e aceita a escriptura
de doação com a ratificação e em
que se exame o Estado ao custeio do Grupo, afim de que seja
este provido de um diretor e professoras, conforme a designação
do s único do art. 1ºda lei n.º694, de 27 de
julho de 1921, cumprindo ao mesmo município as demais
despesas com o custeio do Grupo, resolve nomear o Sr. Dr. Antônio
de Belém Filho para professor diretor e as normalistas
Maria Santana Moura Pacheco e Luiza Nunes da Silva para professoras,
declaradas extintas, ex-vi do disposto do s único do
Art. 54 do decreto n.º5.930, de 24 de Outubro de 1918,
as escolas singulares da mesma cidade, mantidas pelo Estado.
Palácio da Presidente do Estado de Goiás, 14 de
Janeiro de 1925, 37º da Republica. (a.a.) Miguel da Rocha
Lima. Arthur da Silva Jucá.
O grupo foi inaugurado no dia 7 de março de 1925, tendo
sido endereçados ao sr. cel. Miguel da Rocha Lima, presidente
do Estado, dos seguintes telegramas: Congratulo-me com Vossa
Excelência de Amorim. Tenho a honra de comunicar Vossa
Excelência foi hoje inaugurado solenemente Grupo Escolar
aqui sendo nessa ocasião vivamente lembrado e homenageado
o nome e governo de vossa excelência. Valho-me oportunidade
agradecer em meu nome o povo belavistense boa vontade criação
grupo. Atenciosas saudações, Francisco Medeiros,
Vice-intendente em exercício, inaugurado grupo escolar
esta cidade, conselho municipal congratula Vossa excelência
motivo esse atenciosamente. Diogenes Domingues, José
Lôbo, Modesto Rios, Moacyr Canedo.
No ato inaugural usou da palavra o dr. Belém filho,
falecido em 24 de maio de 1925, e o desembargador Luiz Sisenando
Xavier Serra dourada, este em nome da municipalidade e aquele
em nome do corpo inocente, preferindo o discurso seguinte:
Senhor Francisco Medeiros, dedicadíssimo Vice-Intendente
em exercício, Srs. Senador Antenor de Amorim, digníssimo
Intendente Municipal, Exmo. Desembargador Luís Sisenando,
Sr. João Camilo de Oliveira, meritíssimo Juiz
de Direito interno, Exmas. Senhoras e senhoritas, seus senhores
, estando a meu cargo a direção deste estabelecimento,
a cuja inauguração nós achamos reunidos,
sinto-me na obrigação de fazer o primeiro de vós
a fazer uso da palavra neste momento. E é animador da
maior boa vontade que a essa tarefa me presto eu, não
somente para cumprir um dever, mas ainda, principalmente, por
enxergar no momento presente um motivo de justa satisfação
para o povo de Bela Vista, e vê agora, depois de vários
lustros de ansiosa expectativa, fundar-se a sua cidade o instrumento
mais eficaz para a difusão da instrução,
apanagio nobilitante do gênero humano. De fato, senhores,
apanagio bem a sensação de prazer e entusiasmo
que tendes agora, pela beleza de possuir esta fonte onde vossos
filhos ao de receber as luzes que muito os auxiliarao na grande
pele já de nossos dias, vós o tendes compreendido
e não é de hoje que os vossos corações
pais dedicados pulsam agitados pela ardente vontade de dar aos
vossos filhos a luz cujos primeiros raios já se anunciam
com o ato presente, e representa o inicio da realização
dos vosso desejos. Essa luz á que me refiro, senhores,
é a instruçao primaria, que é o limiar
da base secundaria. Desta maneira constitui ela o alicerce sobre
o qual se ergue este maravilhoso edifício que é
o saber humano. Daí senhores, dessa importância
primarcial que se transforma em necessidade, resultam claramente
o zelo, o carinho e a segurança com que deve ser ministrada.
Com esses cuidados, instalada no cerebro, este surpreende, coordena
os primeiros ensinamentos e, deste modo preparado, está
para a percepção de noções sucessivamente
mais complexas, a atingir o grau de um poder extraordinário.
E então, pode-se dizer que ela é o principio,
a razão de todos conhecimentos. Com efeito, sem a ciência
da tabuada, não poderia existir os complicados teoremas
geométricos, assim como, sem as razões rudimentares
da física e da química, não chegaríamos
a saber que a água é um liquido formado pela união
do Hidrogênio e do oxigênio, dois gases. Enfim,
lá onde a instrução não reina, impera
a ignorância completa, a cegueira total.
A administração atual do estado, congregando
os seus esforços, muito tem mostrado ao povo o quanto
tem produzido no sentido de difundir a instrução.
Prova-o sobrenade a recente reforma e regulamentação
do ensino primário e da fundação de grupos
escolares em diferentes pontos do estado. Vós certamente
gratos a ela, pela aquisição deste estabelecimento
de ensino, não podereis ocultar também o vosso
entusiasmo e a vossa satisfação, pois que aqui
os vossos filhos experimentarão dentro em pouco aquela
sensação que não se descreve, aquele aqui,
a criança receberá aos poucos uma luz cujo calor,
com as primeiras busca do dever. Aqui ela ouvirá elevada
as primeiras noções para a orientação
no caminho dos conhecimentos, que lhes serão bases sólidas
para a ascensão aos mais complexos ramos do saber humano.
Entretanto, senhores, para ela sentir e alcançar tudo
isso, não é suficiente estar matriculada aqui,
é indispensável a sua freqüência assiduas
às aulas. Mister se torna, pois que os senhores pais
estejam vigilantes neste sentido, procurando secundar em casa
os conselhos da vida e avivando o interesse pelas aulas no espirito
do filho. Assim estou certo de que lá, a criança
em idade escolar, lucrará o máximo possível
com o que aqui se exercer nesta casa o honroso cargo de professores;
que ides dentro em o conjunto de noções que constitui
a instrução primária; a vós que
ides guiar-lhes os passos no caminho dos conhecimentos; a vós
me dirijo eu, para dizer-vos os passos no caminho dos conhecimentos;
a vós me dirijo eu, para dizer-vos que me sinto abalado
neste instante pelo grande choque produzido pelo encontro das
alegrias de hoje com a lembrança das responsabilidades
de amanhã. Não porque temos as responsabilidades,
pois a elas estou aceito, mas é que as encaro a serio
e por isso me preocupam. Entretanto, espero que o vosso auxilio
eficaz, o cumprimento exato do vosso dever e a vossa dedicação
aos alunos sejam tão evidentes quanto naturais e expontâneos,
são estes predicados no vosso sexo. Assim, as responsabilidades
se tornarão mais suáveis, e no fim do ano, a recordação
dos dias que teremos de passar na convivência da família
escolar, construirá para nós um grande conforto,
de que saberemos gozar com a tranqüilidade de quem cumpriu
fielmente o seu dever. Assim o desejo, senhores: antes de terminar,
apresento minhas felicitações e os meus parabéns
aos srs. Senador Antenor de Amorim, deputado Manoel Umbelino,
Francisco Medeiros, João Camilo de Oliveira e José
Lobo, pois estes senhores se me afiguram merecedores dos maiores
encontros porque, cada qual na sua esfera, não pouparam
esforços pela realização da idéia
que esta solenidade coroa com maior êxito possível.
E agora terminando a minha tarefa, certo embora de a ter cumprido
deficientemente, declaro instalado o Grupo Escolar de Bela Vista.
A idéia da criação do grupo nasceu de uma
palestra nossa com o deputado Manoel Umbelino de Souza, ocorrida
na capital do estado, como faz certo a carta seguinte: câmara
dos deputados. Goiás, em junho de 1924. J Lobo afetou
saudar. O presidente do estado me perguntou sobre o andamento
do grupo, dizendo-me que se devia cogitar desde já de
obter professoras normalizas. Conforma já tive ocasião
de te dizer, o cel. Miguel da Rocha se empenha para que o grupo
se instale ainda no seu governo. Agora, depende da tua ação
no Conselho Municipal, tratando com urgência da lei criando
o grupo adquirindo-se o prédio que, conforme falávamos
aqui na tua ultima estadia, deve ser doado pela municipalidade
ao estado. Mãos á obra, sem perca de tempo. Podes
ficar certo de que o desideratum de beneficiar essa cidade com
um estabelecimento de ensino, será coroado de êxito.
Abraços do sempre amigo, M. Umbelino.
LUZ ELÉTRICA
Pela lei nº.38, de 18 de janeiro de 1927, sancionada
pelo Antenor de Amorim Nascimento, foi concedo privilégio
ao st. João Faleiro da Silva para instalação
do serviço de força e luz, cujo trato foi efetivado
nos termos da proposta oferecida pleo referido comissário,
com pequenas modificações. A luz foi inaugurada
debaixo da satisfação popular no dia 1º de
setembro de 1929, na administração do cel. João
Camilo de Oliveira.
Todo o serviço da empresa foi caprichosamente feito.
Pertencente ao cel. Felismino de Souza Viana, grande industrial
residente em fim.
Os benefícios da luz incandescente hoje se manifestam
nas surpreendentes realizações do século.
Bela Vista não possui mais á noite; fisionomia
tristonha de senhore, mas apresente uma visão magnifica,
com a sua luz a embelezar as ruas e praças, escorraçando
as trevas.
LINHA TELEGRÁFICA
A inauguração da estação telegráfica,
realizou-se no dia 15 de novembro de 1918, na administração
sr. Olímpio de Araújo Melo. Foi dada pelo competente
telegrafista sr. Felicíssimo do espirito santo, ligada
á linha de Pouso Alto num percurso de 42 quilômetros.
Esse grande melhoramento foi realizado com o auxilio de 5000
concedido pelo governo do Estado, conforme lei nº.481,
de julho de 1914, e também com os proventos obtidos por
intermédio na subscrição popular com os
seguintes dizeres, tratando-se de obter alongamento da linha
telegráfica de Pouso Alto a esta cidade, abre-se a subscrição
entre os homens patriotas e amantes do progresso terra, com
o fim de adquirir-se a importância necessária para
ás despesas que impõe um melhoramento de tal vulto.
Para isso foi organizada a seguinte comissão: Nicolau
Tolentino Marques, Manoel Umbelino de Souza e José Lobo,
procuradores de Bela Vista, 1º de janeiro de 1914. A subscrição
atingiu o total 120$500; entretanto somente foi arrecadada a
importância de 484$000.
Resposta a uma carta que a comissão dirigiu ao então
senador estadual, cel. Luiz Guedes de Amorim, já falecido:
3 anos. Srs. Manoel Umbelino, Nicolau Marques e José
Lobo. Cordiais saudações, muitos afazeres não
me permitiram responder á mais tempo a carta coletiva
dos distintos amigos. Vou tomar todo interesse pelo pedido que
formularam, e farei todo possível para que no congresso
seja votado o auxilio de 3.100000 para a construção
da linha telegráfica de pouso alto a essa cidade, medida
que muito concorrerá para o estreitamento de relações
comércio local. Sempre ao inteiro dispor aos amigos,
fica o que é de Luiz Guedes de Amorim. 13/05/1914.
Como o auxilio de 3.1000000 adicionado a importância de
484000, da subscrição, não bastasse para
cobrir as despesas como prolongamento da linha, a idéia
ficou adormecida até 1918, quando o major Antenor de
Amorim Nascimento procurou, em boa hora, reincetar a obra, promovendo
sem desfalecimentos, meios de completar o quanto é necessário
á efetivação de tão relevante serviço.
A municipalidade, entretanto, não concorreu com nenhum
auxilio, dada a sua desorganização e conseqüente
dificuldade financeira na época. Assim, releva dizer
que, em grande parte se deve o benefício da li nha telegráfica
em Bela Vista aos esforços do major Antenor de Amorim.
IGREJAS
A antiga igreja, edificada em 1872, foi bastante melhorada
em 1903, com subscrição popular. Deixada em abandono,
pela dificuldade da manutenção de dois templos
em bom estado, numa cidade relativamente pequena, foi demolida
em 1936. Com ela desapareceu a melhor relíquia histórica
de Bela vista.
A outra igreja, situada na principal praça da cidade,
foi construída em 1909, era em que se achava gravada
e um de seus sinos, por iniciativa do então Vigário
da Paróquia, Padre Antão Jorge, da congregação
dos redentores. Em 1925 foi reconstruída graças
aos esforços do padre Conrado Kohlmann, também
redentor, tendo sido empregados na sua construção
e reconstrução mais de cem contos de reis, importância
obtida entre o povo da Paróquia. É um templo elegante,
confortável, bem ornamentado, comportando cerca de mil
pessoas.
PAROCOS
Elevado o arraial á categoria de freguezia, foi o Padre
Antônio Evaristo da Costa Campos, vigário de Bonfim,
encarregado da Paróquia. O primeiro vigário com
residência fixa foi o Padre João Francisco de Azevedo,
falecido em avançada idade em São José
do Tocantins, norte do estado.
Substitui-o Padre Braz da Costa Oliveira, nomeado em 13 de dezembro
de 1882 e exonerado em 11 de novembro de 1898. Era filho do
arraial da barra, município da velha capital de Goiás,
e viveu em Bela Vista durante muitos anos, tendo falecido em
1913, com 87 anos; os seus restos mortais estão inhumados
na capela do cemitério da cidade.
Estando Padre Braz em idade muito avançada, foi a Paróquia
entregue aos Padres Redentores, durante mais de 6 lustros, com
ligeiras substituições, feitas pelo padres José
Maria da Anunciação Rocha e Américo de
Jesus Araújo Paz, ambos falecidos. Atualmente está
a paróquia entregue ao padre Francisco Sales Péclat,
coadjutor do Vigário de Goiânia, Cônego Abel
Ribeiro Camelo.
Na ata da inauguração da navegação
a vapor no Rio Araguaia, lavrada em 28 de maior de 1868, 47º.
Da independência do império, figura o nome do Padre
Braz da Costa Oliveira, que oficiou a cerimonia religiosa, na
qualidade de capelão do presídio de Leopoldina,
esse sacerdote sobreviveu a todas as pessoas que assinaram a
ata inaugural referida.
CEMITÉRIOS
O primeiro cemitério da cidade foi edificado muito modestamente
na praça onde está situada a nova Mariz, por iniciativa
do sr. Luiz José de Siqueira, com subscrição
popular. Da nossa infância guardamos lembrança
do perímetro do cemitério, cercado de muros, com
toscas apularas de grade de madeira.
Acha-se o atual localisado á margem direita do córrego
sussuapara, em lugar bem elevado. Foi edificado pelo saudoso
cel. Antônio Cândido da Costa Morais, com pequeno
auxílio dos habitantes da cidade. um cemitério
bem construído, onde dormem o sono eterno grandes altos
cujos nomes estão honrosamente ligados á história
de Bela Vista, o cemitério possui uma bem cuidada capela.
Quando iniciou os trabalhos de construção o cel.
Costa Morais, filho de Bonfim, começou a preocupar-se,
pensando qual seria a primeira pessoa a ser inhumada no cemitério.
Mal sabia que o destino para tal escolhera sua única
filhinha Ana, que acometida de febre infecciosa, faleceu na
idade de 7 anos, em agosto de 1893! Esse fato muito abalou o
espírito do cel. Costa Morais, homem patriota e empreendedor,
falecido a 18 de dezembro de 2002. As palmeiras que circulam
o cemitério foram plantadas pelo mesmo Antônio
Cândido da Costa Morais.
IMPRENSA
Por iniciativa de diversos, graças ao acendrado patriotismo
de Honestino Guimarães, talentoso, ilustre homem de letras
e de seus Benedito Guimarães, falecidos respectivamente
em 15 de março de 1931 e 23 de outubro de 1909, circulou
em Bela Vista o FOLHA DO SUL jornal de feição
moderna, impresso em papel de rosa, que relevantíssimos
serviços prestou a cidade. O seu primeiro número
saiu a publicidade no dia de 20 de janeiro de 1905. Impresso
a maioria dos habitantes da cidade se dirigiu ao prédio
onde estava instaladas as oficinas, na rua Luiz de Siqueira
– prédio já demolido – e sob as maiores
demonstrações de entusiasmo realizou-se a benção
do prélo, paraninfanto o ato a exma. Sra. D. Emereciana
Augusta Umbeino de Souza, viúva do cel Pedro Umbelino
de Souza, falecido a 6 de junho de 1930.
Honestino Guimarães, redator do jornal, distribuiu antecipadamente
um boletim com os seguintes dizeres: Folha do Sul. A terra dos
buritizais sussurrantes, em cujas verdes folhagens encantadoras
a briza perpassa cantando o hino da liberdade, vai ter o seu
jornal, o impulsionado das forças produtoras do seu progresso,
A FOLA DO SUL sairá no dia 20 do corrente. E quando filhos
de outras pragas e quando habitantes de outras localizades receberem
o porta-voz da grandeza desta bela e hospitaleira terra, todos
clamarão: - Abençoada Bela Vista, bendita Pérola
do Sul.
Teve a “folha” vida brilhante e direção
firme até 1909, quando deixou de circular por motivos
imperisos.
O período de 1905 a 1909 foi a fase de maior projeção
intelectual e material notada na cidade de Bela Vista. Dir-se
que a providência Divina guiava a Pérla do Sul
a caminho dos seus grandiosos destinos.
Honestino Guimarães foi um dos elementos mais representativos
da intelectualidade goiana. Fez os seus preparatórios
do tradicional Seminário de Santa Cruz, daí então,
transportou-se em seguida para Santarém, Portugal, dedicando-se
ao Jornalismo, afim de fazer os estudos teológicos para
abraçar a carreira eclesiástica. Faltando-lhe
a vocação necessária regressou de Portugal,
dedicando-se ao jornalismo, para o qual tinha raro pendor. Fixou
residente em Palmeiras, neste estado, onde fundou em 1890 o
jornal “A Verdade”. Em 1902, transferiu-se para
a capital do Estado, onde fundou, com Joaquim Bonifácio
e outros, a folha de Goiás.
Residiu depois em Bela Vista, de onde se transferiu para campinas,
hoje subúrbio de Goiânia, a nova capital, dedicando-se
ao comércio, á agricultura, e depois a profissão
de farmacêutico; nesse caráter, exerceu medicina
prática, com caridade e consciência, prologando
numerosas vidas. Exerceu também, com muita competência,
a profissão de advogado provissionado. Militou por diversas
vezes na política do estado, tendo sido eleito deputado
estadual em 1917, desempenhando o seu mandato com muita inteligência
e atividez. Em Campinas foi eleito intendente municipal, por
unanimidade, espírito combatente, teve uma existência
laboriosa e cheia de lutas.
Justifica estes ligeiros traços biográficos o
fato de estar o nome de Honestino Guimarães ligado intelectualmente
á história belavistense.
GRÊMIO INSTRUTIVO
A 3 de setembro de 1905, foi criado em Bela Vista, sob os melhores
auspícios, um Grêmio instrutivo, que teve como
sócios fundadores Cileneu de Araújo, Honestino
Guimarães, Firmiano da Costa Oliveira, Idomeneu de Araújo,
Antônio Batista Arantes, Egesileu de Araújo, Antonino
da Silva Carneiro, Diógenes Domingues, José da
Silva Carneiro, Inácio Elias, Perciliano Lobo, João
Araújo Pinto e José Ferreira de Souza Lobo.
A instalação do Grêmio e a posse da diretoria
realizaram-se no dia 10 de setembro do mesmo ano de 1905, na
sala principal do Paço Municipal, ficando a diretoria
assim constituída: presidente, Cilineu de Araújo;
vice-presidente; Egeliseu de Araújo; orador, Honestino
Guimarães; tesoureiro, Firmiano da Costa Oliveira; 1º
Secretário, Diógenes Domingues; 2º secretário,
Idomeneu de Araújo.
Na sessão da instalação foi considerado
presidente honorário o Dr. Francisco Martins Ribeiro,
então juiz de direito da Comarca. Foram propostos e aceitos
como sócios beneméritos os srs. Felicíssimo
Domingues, Juvêncio Domingues, Brasilino Roque Teixeira,
Manoel de Souza Lobo, Pedro Umbelino de Souza, cel. Francisco
Joaquim Marques, José André Rossi, João
Agostinho de Siqueira, Joaquim Camilo de Oliveira, Nicolau Tolentino
Marques, Benedito Monteiro Guimarães , Pedro Acioli de
Gouvea Lins e José Basilio Ribeiro.
A 15 de novembro de 1906 saiu à publicidade o periódico
o canal, (órgão do Grêmio, de pequeno formato,
impresso nas oficinas da Folha do Sul, nascido sob o influxo
de jovens amantes da instrução da difusão
dos grandes ideais. Depois de uma existência áurea,
desapareceu o Grêmio e com ele o seu jornalzinho, redatoriado
pela pena cintilante de Cileneu de Araújo. O Grêmio
muito se desenvolveu, tendo os seus princípios conseguido
dotá-lo de uma escolhida biblioteca, a qual muito concorreu
para o desenvolvimento cultural da mocidade belavistense daquela
época.
VIAS DE COMUNICAÇAO
Em 9 de março de 1920 foi inaugurada a primeira estrada
de automóvel, ligando Bela Vista a “Roncador”
, então ponto terminal da Estrada de ferro de Goiás,
num percurso de 108 quilômetros. Foi construído
pelo cel. Edmundo José de Morais, com auxílio
do governo federal e do Estado. Foi um dia de grandes festejos
na cidade, porque a maioria de seus habitantes ainda não
conhecia automóveis. Nas solenidades da inauguração,
usou da palavra, em nome do povo, o ilustre facultativo Dr.
Teixeira Alvares Junior, atual secretário Geral do estado.
Em nome do Ministério da Viação, falou
o fiscal da estrada, dr. Luiz Cavalcanti Coelho Cintra.
Hoje em Bela Vista está ligada a todas as cidades e
povoados, e a diversas propriedades agrícolas. Dista
de Goiânia, nova capital do Estado, 60 quilômetros;
de Bonfim, 60; de Pouso Alto, 36; de Vianópolis, 72;
de Leopoldo de Bulhões, 66 quilômetros.
As outras estradas, inclusive as rurais, são relativamente
boas, as condições do terreno, geralmente plano,
com ligeiros acidentes.
LIMITES DO MUNICÍPIO
O município de Bela Vista limita-se com os de Goiânia,
Bonfim, Pouso Alto, e os distritos de Santa Cruz e Hidrolândia,
não existindo nenhuma pendência nas linhas divisórias.
QUALIDADES DAS TE RRAS
As terras do município são geralmente boas,
havendo algumas regulares; mas propriamente não há.
São argilosas na maior parte e arenosas, em menor proporção.
Algumas são pedregosas, frescas e enxutas, não
havendo terras pantanosas. A vegetação é
representada por matas virgens de ótima qualidade, capoeiras,
cerrados e campo de criar, não existido carrascais.
Nos campos naturais predomina o capim branco ou agreste, e nos
artificiais o jaraguá e o catingueiro; não existe
erva.
HIDROGRAFIA
O município é banhado pelos rios Meia-Ponte,
Piracanjuba, ribeirões de Boa Vista, Arapuca, Sozinha,
São José, Aborrecido, numerosos córregos
permanentes de pequeno volume, não existindo lagoas ou
pântanos.
No município, e até mesmo na sede, abunda o buriti,
que se assemelha á palmeira, uma das árvores mais
encantadoras e mais altas do País, nativa em lugar regado
por pequenos córregos.
CULTURAS
Os agricultores cultivam milho, feijão, arroz, cana
de açúcar, mandioca, café, fumo, sendo
as culturas do arroz, do fumo e da cana de açúcar
as mais importantes.
O fumo cultivado em Bela Vista merece especial exposição
por ser considerado o melhor não somente do estado como
também de todo o Brasil.
As terras do município são privilegiadas para
a sua cultura. Assim, pois, julgamos de nosso dever dizer algo
sobre esse produto, que muito tem considerado o melhor não
somente do Estado como também de todo o Brasil.
O fumo pertence a família das solaneas, de Jussieu, e
é hoje muitissímo cultivado, em virtude do seu
extraordinário consumo mundial. Divide-se em três
espécies que são: a Nicotina mucrófila,
a Nicotina tabacum e a Nicotina nestica. Cada uma dessas espécies
desdobra-se em grande variedade, sendo a mais cultivada a nicotina
tabacum, a mais desenvolvida de todas.
Os agricultores do município de Bela Vista cultivam o
fumo com muito capricho; os viveiros são feitos de preferência
em terras virgens e, na falta dessas, em terrenos bem cuidados
e adubados. Revolvida terra, deitam sobre os canteiros capim
seco e areiam fogo, destruindo assim, os insetos e seus ovos,
as cinzas são depois removidas com a terra. Como as sementes
de fumo são pequenas, misturam-se com cinza no momento
de semeá-las. Após a semeação, as
sementes são envolvidas na terra, fazendo-se a irrigação
indispensável, a fim de ser mando humildo o solo.
A excelente qualidade do fumo depende da cultura racional e
cuidados especiais agrológicos e técnicos, desde
a sementeira até enfardamento do produto. Em uma situação
climatérica própria á cultura, sob os mesmos
graos de latitude, a mesma altitude, temperatura média,
o mesmo grão higrométrico, pluviométrico
e outros elementos, pode variar muito em dado ano e contrariar
assim a marcha vegetal normal, não obstante os zelos
do cultivador. Correndo bem a estação dando feita
a cultura em zona própria. Podem falhar os cuidados que
prometem o cultivador, tais como a rotearia metódica,
análises das ilhas, solo, correções físicas,
químicas e mecânicas, adubações,
estrumaçóes no solo arável, trato da planta
com capacitação, secamento e complementações.
O fumo no município de Bela Vista é fabaricado
de processos artificiais, sendo o se aroma unicamente produzido
pelo terreno, que é, como ficou dito acima, privilegiado
para a sua cultura. O município exporta anualmente cerca
de 10 a 12 mil arrobas de fumo em corda e em pasta, tendo sempre
grande procura nas praças de São Paulo e Minas.
Bela Vista é o único município que exporta
folhas prensadas que variam de 60 a 180 quilos. Os exportadores
colocam aniagem própria no interior da prensa da madeira,
e no fundo são colocadas folhas deslatadas, de modo que
as mesmas não possuem dobradas. Cheia a prensa, são
as folhas comprimidas e fechadas. A pressão exercida
sobre os fardos tem por fim diminuir o volume e produzir ligeira
fermentação de aperfeiçoamento que concorre
para a conservação.
O processo adotado no município para a manufatura do
fumo é ainda rotineiro; mesmo assim, conseguem os fabricantes
preparar excelentes artigos, com esmerado capricho.
Seria de grande vantagem que os principais produtores de fumo
município de Bela Vista adquirissem máquina para
a fabricação. Essa máquina foi inventada
em o outubro de 1890; é de madeira, de preço reduzido,
composta de um fiador, um acumulador e um acochador.
A indústria do tabaco é a principal fonte de riqueza
do município, é mesmo o alicerce de sua economia,
deixando resultados compensadores não somente aos fabricantes,
como também aos compradores, tudo isso, deve ser olhada
com todo o interesse. É uma fonte de renda que está
ao alcance de qualquer lavrador, visto não exigir recursos,
sendo mesmo indústria dos pobres, dos desprotegidos,
pois até as crianças prestam grande auxílio
na sua cultura.
Pensamos que seria de extraordinária vantagem que os
comerciantes de Bela Vista que dispõem de capital, organizassem
uma companhia mercantil com o fim de explorar o comércio
do fumo, com escritório de propaganda nos centros consumidores,
criando também fábricas de cigarros e de fumo
beneficiado.
Transcrevemos, a seguir, um trecho extraído da obra “da
cultura do fumo”, do engenheiro agrônomo da Baia,
João Silvério Guimarães: a cultura do fumo
no Brasil, sob o ponto de vista agrícola, era operada
pelos aborigens, antes da descoberta de Pedro alvares Cabral
em 1500.
Pela época do descobrimento os portugueses encontraram
entre os costumes e usos dos Tupis o de plantarem o fumo, secando
e curando as folhas em suas habitaçoes, enfardando-as
em canudos de folhas de palma, como cigarros, trabalhando-os
em argila, ensinando os europeus a se utilizarem da planta,
como os Aztecas e os Incas ensinaram aos conquistadores de seus
domínios.
A história da cultura econômica, no Brasil, é
pois, contempôranea da história do seu descobrimento,
como demonstram as descrições de Gabriel Soares,
de Frei Francisco, André Thevet, Saint Hilaire, Estácio
de Sá, Menezes e Inácio Acioli, que falam do pitum,
da cura de petum na oca, do tudo de folhas cheio de fumo e atado
na extremidade, pitum-pita ou charuto com que os murubixabas
solenizavam as declarações de guerra aos inimigos,
o pituma-cui ou pó, as fumaradas do curandeiro e adivinho,
a solenização dos caraibés, piagas ou caraíbas
aspirando a fumaça de cachimbos.
A prova do resultado auferido na mecânica do fumo, temos
no americano Benjamin Duke, que fez uma fortuna superior a oitenta
mil contos, começando a as vida vivendo cigarros num
pequeno balcão, de onde aos poucos foi estendendo os
seus negócios, da freguezia de uma modesta casa, passou
a Ter a freguezia de diversos países. O seu primitivo
balcão atravessou os mares e entrou pelos continentes.
INDÚSTRIA PASTORIL
A criação do gado vacum no município é
relativamente desenvolvida, sendo a maioria composta de mestiços
de zebú, raça que foi introduzida no município
pelos fazendeiros oriundos do Estado de Minas, Antônio
Ribeiro da Silva e José Basílio Ribeiro, já
falecidos.
PRIMEIROS ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS
Foram Luiz José de Siqueira e Joaquim Gregorio da Silva
Lima, filho da cidade de Uberaba, estado de Minas, as pessoas
que primeiro se estabeleceram em Bea Vista com casas comerciais,
vieram depois as firmas Galdino José de Siqueira João
Antônio Pinto, Costa Morais & Cia, e José Benedito
Teles.
As primeiras boticas foram as dos srs João Antônio
Pito e Luiz José de Siqueira, vindo depois a do sr. Juvencio
Domingues
TRAÇOS BIOGRÁFICOS DOS PRINCIPAIS BENFEITORES
DE BELA VISTA
Luiz José de Siqueira, nasceu em São João
del Rei, estado de Minas; transportando-se para este estado,
fixou residencia em Bonfim, se contraiu núpcias com dona
Ana Gomes Gerais, filha de Joaquim Gomes da Silva Gerais e de
Dona Maria da Cunha Teles. Transferiu-se para o arraial de ela
Vista, onde se estabeleceu com casa comercial amigo do progresso,
construiu as suas expensas um chafariz público e um cemitério,
dotando o então arraial de Bela Vista dos primeiros melhoramentos.
Faleceu já em avançada idade, na cidade que tanto
beneficiou nos tempos imperiais.
Senador Antônio Amaro da Silva Canedo. Nasceu na fazenda
denominada João de Deus, no município de Bonfim,
tendo contraído províncias com dona Guilhermina
de Araújo, falecida, filha do cel. José de Araújo
Neto, que foi o maior proprietário de terras daquele
município.
Transferiu sua residência para o arraial de Sussuapara,
onde tinha apenas meia dúzia de casas modestas.
Entretanto nas lutas políticas de sua terra, tornou-se
logo um chefe de maior projeção do partido conservador.
Nesse caráter, foi designado a assembléia Provincial
em diversas legislaturas.
Proclamada a república, foi incluindo na lista de senadores
federativos á constituinte, juntamente com o ilustre
dr. José Joaquim de Souza, da velha capital do estado,
e o cel. Antônio Paranhos da Silva, de personalidade portugueza,
então residente na cidade de Catalão. A princípio
recusou sua candidatura, tendo afinal acedido a representar-se
no congresso nacional em virtude de ingentes esforços
de seus correligionários. Na primeira eleição,
realizada a 15 de novembro de 1890, para senadores e deputados
federais, o senador Silva Canedo teve votação
em primeiro lugar.
Iniciou a sua brilhante carreira política exercendo o
cargo de delegado de polícia do distrito de Bela Vista,
para o qual prestou compromisso legal perante o Conselho Municipal,
de Bonfim, em sessão a 12 de setembro de 1876.
O seu passado político é por demais nobilitante,
como bem mostram os documentos abaixo transcritos.
“A princesa Imperial Regente, em Nome de sua majestade
o imperador, o senhor Dom Pedro Segundo, faz saber aos que esta
carta patente virem, que há por bem nomear Antônio
Amaro da Silva Canedo, para o posto de coronel comandante superior
da guarda nacional da comarca do Rio Corumbá, na província
de Goiás e como tal gozará de todas as honras,
privilégios, liberdade, isenções e fraquezas
que diretamente lhe pertencem.
Pelo que manda a autoridade competente que lhe dê posse
de prestar o devido juramento e o deixe servir e exercer o dito
posto; aos oficiais superiores que o tenhão e reconheçam
por tal, honrem e estimem, e a todos os seus subalternos que
lhe obedeçam e guardem suas ordens no que tocar ao serviço
nacional e império tão fielmente como deve me
são obrigados. Em firmeza do que manda passar a presente
Carta Patente. Ela assinada, que se cumprirá depois de
selada com o selo do Rio de Janeiro, em quatro de agosto de
1887, sexagésimo sexto da independência e do Império.
Princesa Imperial Regente.
QUARTEL GENERAL do comando superior da guarda nacional da capital
federal, em 23 de janeiro de 1894. Ao senhor coronel A.A. da
Silva Canedo, senador pelo estado de Goiás. A prontidão
com que a guarda nacional desta capital mobilizou-se sob o meu
interno comando a dedicação com que todos os batalhões,
alguns já organizados, outros em vias de organização,
se apresentaram sem excepção, sem dúvida,
sem uma hesitação, para a defesa da constituição
federal e da autoridade legal representada pelo vice-presidente
da republica em exercício do cargo de presidente, Marechal
do Exército Floriano Peixoto, o heroísmo com que
guardas nacionais juntos, firmes, sob o comando de um dos companheiros,
chamado, por um com curso de circunstâncias imprevistas
á direção de força tão importante
pelo numero, como pela natureza dos seus elementos, o heroísmo,
repito, com que se tem batido a Guarda Nacional pela sustentação
da autoridade legal enfureceu um certo número de indivíduos,
habituados a ridicularizar a nobre milícia cívica,
a zombar da instituição e procurar esquecer suas
antigas tradições. Em sua fúria de inveja
e decepções, não podendo chamar as guardas
nacionais nem de covardes, nem de destruidores, nem de traidores,
nem de indolentes, intrigantes de baixa esfera, não tem
tido a franca coragem de levantarem acusações
formais contra a nossa valiosa e leal milícia, as minhas
mãos não têm vindo nem representações,
nem denuncias que assinaram por um cidadão que seja mereçam
a consideração da autoridade. Todavia, nas ante-salas
das repartições, a espera de deferimento de qualquer
pretensão, nas antecâmaras dos poderosos, em recantos
escuros de secretarias, de quanto em vez um múmuria caluniador
se ergue contra um oficial contra um comandante , contra um
batalhão, contra a Guarda Nacional enfim, e, no propósito
de marear tudo, propalam insistente e insidiosamente que não
há escrúpulo no movimento financeiro dos corpos,
que há excesso nos recebimentos e despesas dos batalhões,
que se especula com os gêneros donativos particulares,
e que não prestou a necessária correção
no emprego das quantias arrecadadas. Conquanto, a calúnia
chegou até este comando. Embora anônima, não
consentirei que semelhante imputação tome vulto,
entendi meu dever nomear uma comissão de pessoas acima
de toda a excepção habilitadas em contabilidade
ou nas letras de reconhecida e histórica convicção
republicana, de forma a merecer toda a confiança dos
que desejam ver sempre elevados os créditos da Guarda
Nacional da qual como comandante sou o primeiro a zelar a reputação.
Assim aceite a delicada e cívica incumbência de,
com os Srs. Coronal João Cordeiro Senador pelo estado
do Ceará, e tenente Coronel José de Medeiros Albuquerque,
em serviço junto ao Sr. ministro da Justiça e
redator do IMPÉRIO, em comissão procedes a todos
os exames que julgueis acertados sobre todas as repartições
da Guarda Nacional na capital federal, requisitando deste comando
superior o que houverdes mister para que não fique dúvida
alguma sobre o modo levantado, digno, honesto e leal por que
se têm conduzido os comandantes oficiais e guarrdas da
briosa Guarda Nacional da Capital Federal, cel. Fernando de
Almeida, comandante superior interno.
DOM PEDRO por graça de Deos e Unanime aclamação
dos povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo
do Brasil, como Grão Mestre da ordem rosa, faço
saber aos que esta minha carta virem que, atendendo aos revelastes
serviços prestados aos estado pelo coronel Antônio
Amaro da Silva Canedo: - hei por bem nomear o oficial da dita
ordem, pelo que lhe mandei passar a presente, a qual, depois
de prestado o juramento do estilo, será selada com o
selo das armas do império, dada no palácio do
Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1858, sexagésimo a
independência e do império. Imperador José
Fernandes da Costa Pereira Júnior, carta pela qual vossa
majestade imperial, há por bem nomear oficial da ordem
da rosa ao coronel Antônio Amaro da Silva Canedo, com
acima se declara para vossa majestade Imperial Vera.
O senador Silva Canedo criou em Bela Vista uma banda de música,
adquirindo as suas expensas todo o instrumental, e mantendo
durante quatro anos, o sr. João José Leite, segurou
a mensalidade de $60000.
Para a edificação da Igreja de Nossa Senhora da
Piedade, foram quase todo o material necessário e ainda
dois si nos.
Ao senador Antônio Amaro da Silva Canedo, um dos seus
maiores benfeitores, deve Bela Vista os mais relevantes serviços.
Faleceu no Rio de Janeiro, acometido de febre amarela, a 4 de
agosto de 11895. Os seus restos mortais foram transladados para
o cemitério de Bela Vista, conforme desejava a sua família.
Cel. Manoel dos Reis Gonçalves, filho da cidade de Corumbá,
neste estado. Transferiu sua residência da lendária
cidade de Santa Cruz para Bela Vista, a 21 de agosto de 1881.
em 1903, transferiu-se desta para a antiga Capital do Estado,
onde faleceu em 1933, com 75 anos e idade. Habitou em Bela Vista
a convite do senador Silva Canedo e do cel. Antônio Cândido
da Costa Morais.
A ele se deve a elevação do distrito de Bela Vista
a categoria da cidade e, em seguida, a criação
da comarca, em 1898, graças a um elevado gesto político
que soube conquistar.
Era dotado de esclarecida inteligência, aliada a uma grande
ponderação, o que lhe serviu para colaborar na
política local ao lado dos elementos mais representativos
da época, que lhe dispensavam a máxima confiança
e sincera admiração.
Em diversas legislaturas foi eleito deputado estadual pelo circulo
de Bela Vista, tendo sido também senador estadual.
A ele coube o grande trabalho de organizar os negócios
administrativos do município, onde passou a maior parte
da sua mocidade, cercado de toda estima e acatamento.
Cel. Antônio Cândido da Costa Morais, era filho
da cidade de Bonfim, tendo contraído núpcias com
Dona Ludovina de Araújo. Transferindo-se para Bela Vista,
dedicou-se à profissão de fazendeiro e comerciante.
Era dotado de grande coração. Militou na política
local ao lado do senador Silva Canedo, cel Reis Gonçalves
e outros elementos de projeção no município.
Ponderado e criterioso, era por todos consultados e os seus
conselhos de homem experimentado eram fielmente seguidos.
Deve-se a construção do cemitério da cidade,
feita por sua iniciativa, com pequeno auxílio popular,
como tivemos oportunidade de dizer no título “cemitério”.
Amante da instrução, doou a Mitra, em 1902, um
prédio, um dos melhores da cidade naquele tempo, para
a manutenção de um Colégio de Freiras,
conforme já nos referimos sob o título instrução.
Faleceu a 18 de dezembro de 1902, não tendo tido a satisfação
de ver instalado o Colégio com que o seu acendrado patriotismo
quis dotar a cidade.
Cel. Francisco Joaquim Marques, era filho da cidade de Santa
Cruz, residiu em Pouzo Alto, de onde se transferiu para Bela
Vista em 1896. Homem culto, muito contribuiu para a boa marcha
da vida administrativa do município, elaborando o regime
interno do poder legislativo municipal e o primeiro código
de posturas do município. Militou na política
local, como chefe do partido dirigido pelo ilustre estadista
goiania, dr. José Leopoldo de Bulhões, jamais
abraçou outra corrente partidária.
Possuidor de sólida cultura e caráter ilibado,
levou uma vida exemplar, cercado de um ambiente de invejável
tranqüilidade, diversas vezes ex erceu o cargo de Juiz
Municipal, e neste caráter, o de juiz de direito interno,
graças ao seu raro pendor pela ciência do direito,
as duas sentenças foram sempre esboçadas com pleno
conhecimento da causa em lide.
Na “Folha do Sul” teve a oportunidade de publicar
brilhantes artigo filosóficos, que bem demonstravam a
sua cultura.
Falecem em 1922 na avançada idade de 87 anos, legando
um nome honrado e cheio de exemplos á sua família.
Dr. Cileneu de Araújo, manda a justiça que se
lhe faça benção especial. Deve-lhe Bela
Vista valiosos serviços, pelos quais dedicou sempre os
seus melhores esforços e as luzes do seu talento de escol,
acompanhando sempre com empenho os fatos ligados á história
político administrativa belavistense.
Ainda muito moço, ocupou o cargo de secretário
do conselho municipal, em cujo posto logo se ornou oráculo
dos membros daquele poder, tudo fazendo e orientando com a maior
elevação de vistas.
Militou na imprensa local, o que lhe ofereceu desejos em versos
magníficos, e em prosa admirável, os encantos
da Pérola do Sul.
Ocupou em diversas legislaturas o cargo de Juiz Municipal e,
deste caráter, o de Juiz de Direito interno, demonstrando
sempre sólido espírito de Justiça.
Transferiu-se mais tarde para a antiga capital do estado, foi
eleito por três vezes deputado á câmara estadual,
tendo desempenhado o mandado com raro brilhantismo, foi líder
da câmara estadual e secretário, sempre reeleito.
Tendo concluído o curso jurídico na Escola de
Direito de Goiás, nomeado Juiz de Direito da comarca
de Santa Cruz, hoje com sede próspera cidade de Pires
do Rio.
E um magistrado integro, que vive cercado da maior estima por
parte de seus juridicionados, trazendo a sua toga livre de qualquer
mancha.
Viagens às terras goianas, do livro cujo título
se vê á margem, escrito por Oscar Leal, transcrevemos
a seguinte nota sobre Bela Vista, escrita em 1892:
Deixando o Bonfim segui em direção a Bela Vista,
onde havia essa ocasião a festa do divino. O que são
essas festas já o leitor quer saber. Missa cantada, foguetes,
fogueiras, mastro arriba e meia dúzia de músicos
a tocar pelas ruas, em remate, o festeiro, que tem o título
de operador, convida o povo a provar uns confeites e a beber
um pouco de vinho (branco) e está acabada a festa, depois
de ser saudado aquela festa e a sorte designou para festeiro
do ano seguinte. Como nestas ocasiões o que quer uma
pessoa é divertir-se. O coronel Canedo tinha um troly,
com quatro rodas, o único que vi nestes centros, pedindo-lhe
permissão, enfeitei-o cobri-o com toda vermelha e convidei
o imperador e o Vigário a falarem nele para acompanharem
a coleta do costume. Creio dever ao suado que tomei o Ter evitado
a constipação. Ser cocheiro de um imperador neste
tempos democráticos... É preciso, porém,
notar, que esse imperador era um sujeito bastante modesto, como
vamos ver. Vestia calças de riscado, casaco de pano preto,
chapéu mole desabado. Não trazia condecoração
alguma. Era um tipo de modéstia. O vigário, Padre
Braz da Costa Oliveira, que ia ao meu lado, revestido de batina,
não parecia confiante na minha experiência, e agarrado
ao encosto do carro quando avistava uma ponte ruim ou um rego
através das ruas, pedia logo que parasse e soltava. Assim
fez repetidas vezes, até que afinal se revestiu de coragem
e disse no fim do passeio, com toda a resolução:
não salto mais, suceda o que suceder. Foi um festão.
O Manoel dos Reis foi quem mais se riu. Durante estes dias,
o cel. Canedo não me deixou sair de sua casa e, lá
hospedado mais uma vez, tive desejo de apreciar as belas qualidades.
Pela seu trato, fraqueza natural, Canedo é um dos goianos
mais populares que conheço. Um sujeito que nome convencidíssimo
e que anda no barco de todos os fumantes. Silvéiro Lemes
é o primeiro fabricante de fumo (tabaco) do Brasil, não
pela quantidade, mais sim pela qualidade. É o tal capricho
que desenvolve, que em sua fauna tem merecido até hoje
uma fama de arrepiar cabelos aos invejosos. Este fumo, cuja
qualidade deve sua primazia ao fabrico e ao terreno especial
em que é cultivado, chega a obter um preço excepcional.
Estudada a causa, creio não ser exagero dizer que o tabaco
Silvério Lemes é o melhor do mundo. Em 1892, Bela
Vista tinha somente 4 lojas de fazendas e molhados, 1 bom rancho,
uma escola bem freqüentada e agência de correio.
CONCLUSÃO
Ao terminarmos este modesto subsídio a história
de Bela Vista, seja-nos permitido declarar que a falta de arquivo
na municipalidade não nos permitiu organizar trabalho
mais completo. Entregamo-lo a publicidade sem nenhuma pretensão,
somente para deixar aberto o caminho para aqueles que, de futuro
queiram dedicar-se aos estudos da história de Bela Vista.
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